Salve, JH pra um curtinho aqui. O homem não precisa de introduções: se você não sabe quem é Drake, provavelmente esteve em coma nos últimos 10 anos. Preparando-se para colocar mais uma pedra no seu castelo com seu próximo álbum, “Certified Lover Boy”, o atual maior nome da música no mundo aparenta começar oficialmente o processo de rollout do disco com seu EP teaser, a segunda edição.

Meses antes do lançamento de seu último álbum de estúdio, Drake deu ao mundo o primeiro “Scary Hours”, que contava com 2 faixas: “Diplomatic Immunity” e “God’s Plan”, um dos maiores hits da carreira de Drake e que na época era só a segunda canção #1 do MC como artista primário, dando início a um domínio gigantesco do rapper no chart, chegando à posição outras duas vezes ainda naquele ano. Dessa vez, pode apostar, ele voltará para lá.

E a volta provavelmente (apenas um palpite) se dará com a primeira das três tracks do EP, “What’s Next”. A faixa é a surfada de Drake nessa onda mais espacial, com sintetizadores que lembram um video-game antigo que tanto tem feito sucesso no trap recentemente; basicamente, um “Pi’erre Bourne type beat”, que nesse caso é bem feito, mas a repetição do loop acaba cansando no fim. Além da sonoridade popular, a música tem todas as marcas de um hit atual: um refrão chiclete, um flow animado e com um bom nível de energia e algumas punchlines que hora entram (I’m on the hot one hundo, numero uno/ This one ain’t come with a bundle), hora não (He thought he was sick, now we wipin’ his nose). A track, com tudo isso, é boa, com dois bons versos que terminam se ligando ao refrão em que Drake responde uma dúvida do público: ele transa.

Well, summer, all I did was rest, okay?
And New Year’s, all I did was stretch, okay?
And Valentine’s Day, I had sex, okay?
We’ll see what’s ’bout to happen next, okay?

Logo depois vem a melhor do trio: “Wants And Needs”. Drake abre a track rimando surpreendentemente bem, num flow forte com rimas internas antes do drop do beat; após isso a energia poderia ser maior mas Drake compensa pela bela escrita, entregando diversos quotables. O verso é sucedido por um bom refrão, que segue uma boa progressão e ideia, além de ser pegajoso. A track traz no segundo verso Lil Baby roubando a cena, após um início lento de verso, o MC pega fogo e entrega um de seus melhores versos até hoje, esbanjando uma técnica de escrita e um flow excelentes, dominando a track. A bateria seca deixa os loops tomarem conta de um beat mais discreto, o que dá o espaço para os MCs brilharem, principalmente o convidado.

I lost a Ferrari, Las Vegas, Nevada
I woke up the followin’ day and went harder
I’m crackin’ my shell now, they see that I’m smarter
I gotta get money, I love to get charter
I gave her four Birkins and one’s for her daughter
I can’t let ’em down, walk around with my guard up
I’m screamin’ out “YOLO,” yeah, that’s still the motto
I know I be on some shit that they ain’t thought of

O pacote é fechado por “Lemon Pepper Freestyle”, que fica em duas caixas conhecidas aos entusiastas do catálogo de Drake: a faixa introspectiva, onde ele atualiza o público sobre o que tem feito (geralmente seus eventos de luxo e como tem passado a vida de extremo sucesso), dessa vez com destaque para sua paternidade; e o feat com Rick Ross, onde cada um dá seu verso falando sobre suas riquezas sobre um beat mais classudo, com um sample cantado. Aqui o sample é realmente muito bom, mas a faixa, ao tentar entregar os dois lados, acaba se prolongando demais. Drake, tomando o mic por quase 5 minutos, sem muita variação de energia ou flow, acaba tornando a canção monótona demais, apesar de suas linhas serem interessantes e bem escritas; o bom verso de Ross, ao ter menos de 1:30 no começo da canção, acaba ficando para trás pelo exagero do dono da track. A faixa, que não é ruim, seria beneficiada pelo corte do convidado ou por um verso mais enxuto do anfitrião.

Após anos de busca desmedida pelo sucesso, o próximo álbum de Drake é crucial para seu legado no rap, seja para destrui-lo ou se manter relevante perante seu público mais nichado. O EP é um bom sinal, sem forçar um viral e dando três boas tracks. Resta esperar o que virá, mas “Scary Hours 2” é um sinal positivo para o artista.

 

PS: O texto funciona como single review. Apesar de ser tecnicamente um EP, não funciona como um trabalho único para que receba este tipo de avaliação.

Author: JH

Fã da arte como um todo, em especial o hip-hop, e palpiteiro de plantão. No twitter você me encontra como @JHseeghosts