Salve galera, Gabriel Magalhães novamente nesse respeitoso site para trazer, desta vez, o review do novo trabalho do rapper mineiro Sidoka. Em “Futuruz”, lançado apenas 2 meses após o repetitivo e abaixo da média “Merci”, o MC ainda não trás de volta ‘aquele flow’ tanto esperado, questões como originalidade continuam sendo um problema em que o rapper vem esbarrando, mas, pelo menos dessa vez, não fomos obrigados a ouvir rimas apelativas feitas para a internet.

“Futuruz” começa com a track “Cristaiz”, onde de cara já caímos nas mesmas características de sempre: produções com variações em sua voz e rimas abordando temas que, em algum momento, já ouvimos em sons anteriores. Sidoka não encontra facilidade para fugir de uma estética que, embora inovadora em seus trabalhos iniciais, hoje se torna altamente repetitiva. Acredito, talvez, que não seja de seu interesse fugir dessa zona de conforto que ele próprio tornou exclusiva.

A próxima faixa, “Linhaz”, muda um pouco em relação a essa temática que estávamos acostumados. Nesse som, Sidoka trás um lado mais introspectivo, tentações e sentimentos começam a emergir à tona de suas músicas, a produção não foge do esperado, as mesmas pausas e elemento costumeiros se mantém. “Feridaz” é uma faixa interessante, Sidoka vem com algumas variações no seu flow que de maneira bem sútil se encaixam com a produção, o refrão é outro ótimo ponto a se destacar no som:

Tem dinheiro sujo na mochila limpa (Yeah)

Eu nem tô falando nada, ‘cê sorrindo, linda

Eu não tô te questionando, relaxa, respira

Fala quantas coisa que cê tem na mira

Agora tudo é coisa que cê tem na vida

Tão nunca se esqueça que eu curei feridas, ok

“Futuruz” é a faixa que nomeia o álbum, o ritmo aumenta em relação ao restante do projeto, com isso o encaixe entre suas linhas e o beat começa a ser prejudicado. Uma sequência de execuções da palavra “diferente” acaba recebendo um grande destaque na música por conta desse aumento de ritmo. Destaque esse que, não necessariamente, é positivo, pois não se tratam de linhas com grande profundidade.

A quinta faixa, denominada “o menino foi”, é outro bom momento do álbum, tanto sobre produção quanto pela própria letra, onde Sidoka mostra um pouco mais de si do que em outras tracks, o refrão é bem bonito e carrega um lado emocional interessante do MC, fora a pronúncia, que está visivelmente mais clara do que o esperado (talvez esse seja, quem sabe, até um caminho novo para seguir em seus próximos trabalhos). Quero destacar os versos do refrão:

E o menino foi

Mesmo sem dinheiro, sem esperança, foi

Faço pelo mano, e os menino foi

Olha vem falando já não sei quem sou

Desculpe pelo brilho, amor, veja como brinda amor

Pensa no que já passou, pensa no que já passou

Passamos por “Espiã” que me soa como uma segunda parte ou continuação de “A Menina que Roubava” de “Doka Language” e não foge em nada do que vimos nas tracks até então. Chegamos em mais um bom momento do álbum em “não conversamos, mas”, um ponto bem interessante começando pelo próprio nome da faixa que usa o wordplay mas/mais na concepção do significado da frase. O refrão, novamente, é responsável pelas melhores rimas (o que, obviamente, não é demérito nenhum), a boa produção desse beat ficou por conta de Gibbo.

Veja, nós não conversamos

Mas eu peço que proteja todo seu caminho

Só não espero que se esqueça

Tudo que eu te fiz, tudo que eu te disse era de verdade

A última faixa é “Drive Thru”, ela vem para finalizar esse projeto com uma produção sem elementos a destacar, rimas sem muita elaboração e muito menos profundidade, todo esse conjunto dá a sensação de que “Futuruz” seria melhor finalizado na música anterior, não atoa entrou como uma Bonus Track.

Futuruz é o terceiro trabalho de Sidoka em um período de um ano, talvez o fator tempo seja determinante para a falta de inovação, foram aproximadamente 27 minutos que me senti ainda ouvindo trabalhos antigos de Doka (ou seja, me senti no Passadoz, hehe). Ainda que “Futuruz” seja um pouco acima de “Merci”, não há grande evolução, apesar de que a apresentação de um lado mais pessoal do próprio Sidoka tenha caído muito bem. Em alguns momentos sinto que Sidoka caiu no trap genérico como muitos outros, só que em suas próprias características, algo como o trap genérico doka style. O ouvinte do MC mineiro continua com o gostinho de quero mais (ou muito mais), para que possa sentir o que se sente em Elevate e Doka.

Até a próxima.

 

Author: Gabriel Magalhães

Engenheiro mecatrônico, designer gráfico, amante de arte e tecnologia, apaixonado pela cultura hip-hop e boêmio demais!