ITS LIIIT!!1 suave rapaziadinha!? sHaq de volta após um breve hiato encerrado por essa quarentena, que me gerou um certo tempo livre, tempo livre esse que estou usando para colocar certos trabalhos em dia, um deles este que sou muito bem remunerado para dar minhas opiniões fecais sobre obras musicais, que por um acaso percebi que deixamos passar. Como o tempo é relativo e não adianta fazer muito mistério sobre o que vamos falar porque o título vem primeiro que isso que você está lendo agora (não leia o título novamente) vamos direto ao assunto: Travis Scott e os JACKBOYS.

Travinho é o homem que mais trabalha na multimídia ultimamente, é disco, produção, participação, faz tênis, aí do nada lança um trabalho colaborativo com todos os artistas assinados com o selo Cactus Jack Records, mais especificamente: Don Toliver, Sheck Wes, Pop Smoke (RIP) e o próprio Travis, há também a participação do Quavo e do Offset, da Rosalía e do Lil Baby, mas falaremos disso mais adiante.

Esse trampo teria tudo pra dar muito errado, tal qual projetos anteriores de trap colaborativos que são um amontoado de produções descartadas e versos não bons o suficiente para os álbuns principais, tipo Jack Huncho, Huncho Jack ou Without Warning, mas em “JACKBOYS” a premissa parece ser diferente, mais alinhada a projetos tipo “Revenge of the Dreamers” da Dreamville, em que o propósito é apresentar artistas, amarrando-os ao nome principal do selo, apesar dos mesmos já serem conhecidos na cena, porém ainda não possuírem um nome forte no mainstream por si só. E por ter essa proposta diferenciada, um número reduzido de tracks, onde cada uma serve praticamente de apresentação para cada artista, faz o projeto ser bem trabalhado e nada enjoativo.

O grande destaque é a estética geral que varia para cada um, deixando a track adequada para o que já conhecemos dos artistas presentes (as vezes com o boost de um convidado como a track do Thugga) sem deixar o todo confuso, a tape possui um fio condutor bem característico do Travis por sinal, que também vemos nos projetos do Sheck Wes e do Don Toliver, algo que parece uma marca de direção criativa/executiva do selo, trabalhar com o mesmo time de produtores nos projetos facilita o trabalho de se manter coeso. Um detalhe que não me incomodou, porém é curioso: Mike Dean está listado como um dos integrantes da produção, mas não vemos suas marcas registradas em nenhuma faixa, nada de solos intermináveis de guitarra mixados com gemidos em autotune por aqui amigos.

Falando em produção, como eu disse ali em cima, o disco tinha tudo para ser enjoativo, porém os beats são diversos e não são maçantes, apesar de soarem de certa forma genéricos no sentido de não terem nada de inovador em relação ao que está sendo feito na cena, mas, são muito bem escolhidos para conversarem bem entre si, de maneira que o disco como todo não pareça um mesmo instrumental com variações diferentes (bjo trapstar br). Falando em beatpicking, Don Toliver tá de parabéns, tomou conta do projeto, seja na “sua faixa” em que tem uma delivery gostosa de ouvir, com um autotune on point (assim como no seu disco) ou seja nas participações que complementa a track como um todo.

Sobre as participações temos bastante coisa aqui, “OUT WEST” foi sequestrada pelo Young Thug, na minha opinião é uma das melhores, Quavo e Offset trazem 2/3 dos Migos em “HAD ENOUGH”, e na abertura do disco, Lil Baby e Rosalía dividem o remix de “HIGHEST IN THE ROOM” com Travis, apesar de preferir a faixa original e também achar que ela deveria estar em Astroworld, as atmosferas são parecidas e ela casa bem com a proposta do trampo. Por falar no disco anterior do Travis, o Quadro em branco tem um vídeo falando sobre, em que cita: “tem a sonoridade de um futuro que ainda não aconteceu” e por coincidência ou não JACKBOYS também traz esse ambiente, caberia muito bem em um filme futurístico não tão distante daquele serviço de streaming que começa com N e termina com X.

Trocando em miúdos, JACKBOYS é uma boa compilação, que traz à luz ótimos artistas com grande potencial que esperamos bons projetos num futuro próximo, infelizmente Pop Smoke não está mais entre nós (RIP), mas o novato Don Toliver e o não tão novo Sheck Wes ainda podem surpreender com muitas coisas boas em breve, nessa salada toda quem saiu (literalmente, rs) perdendo foi o Smokepurpp, Travis por sua vez demonstra que está cercado de bons artistas e que, a qualquer momento, pode mudar a direção da cena, influenciando quem o tem como referencia, lançando projetos curtos e bons de ultima hora e sem aviso prévio (no pun intented, entendedores).

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