Oi, amiguinho. Não viu a parte 1? Clica aqui, então.

10. Filipe Ret – Vivaz

Audaz, Revel e Vivaz, nenhum dos outros álbuns representa mais essa trilogia que este disco de abertura, que nos apresentou um Ret além da imagem de um MC carioca que rima sobre praia e maconha em melodias soft (ele também faz isso, mas esse não é o ponto). Abordando desde de assuntos simples até os mais complexos como a organização da sociedade e o conceito de individualidade. A produção, conceito e até timing desse disco são bons, o que justifica a sua posição no top 10 e também um dos nossos álbuns avaliados em 5 shits.

-Shaq

9. Projota – Projeção

Se você ouvia rap em 2010 você ouvia Projeção, simples assim. Uma das mixtapes fundadoras do que, naquela época, viria a ser a nova escola.  O projeto de 19 faixas fez com que aquele novo rap quebrasse a bolha de São Paulo e se espalhasse para outras partes do país, Projota fazia uma verdadeira poesia de rua em batidas que, em sua grande maioria, ele mesmo produzia. Como o próprio titulo diz, a mixtape sem dúvidas foi a maior projetora do material que começava a borbulhar na capital paulista e sem dúvida nenhuma fez escola e história.

-ASCENCIO

8. Djonga – O Menino Que Queria Ser Deus

Após a explosão de uma nova safra pós Sulicídio, o maior nome do rap nacional sem dúvida se tornou Djonga. Depois de fazer barulho em participações, cyphers e seu álbum de estreia, “Heresia”, em O Menino Que Queria Ser Deus o rapper fez seu statement, mostrando que era o principal MC do momento. Num álbum muito pessoal, o Djonga tem uma das melhores e mais consistentes performances de um rapper ao longo dum disco nos últimos anos, sem verso ruim; ao mesmo tempo, sua produção não deixa a desejar, variando entre beats de trap minimalistas pra alguns mais elaborados, sobretudo na segunda metade. Corrigindo tudo que ficou de errado no disco de estreia, Djonga apresenta sua história do início ao fim, seguindo o título, começando da luta e superação no início para gritar “o mundo tem sido pequeno demais pra nós” na última faixa.

-JH

7. Criolo – Nó Na Orelha

Provavelmente,  “Nó Na Orelha” foi o álbum mais importante do rap na década. Em seu primeiro trabalho após abandonar a alcunha de ‘Doido’, Criolo nos apresentou o primeiro álbum do rap nacional nessa onda conceitual e apropriadora de diferentes musicalidades e estilos a atingir relevância, sendo de fato um divisor de águas na história do rap nacional. Trazendo o lendário Daniel Ganjaman para a produção, Criolo tem instrumentais belíssimos de MPB, soul e jazz para ajudar na ambientação dramática da cidade de São Paulo, que é colocada lírica e sonoramente durante todo o álbum, deixando a casa pronta para o grande MC colocar toda sua criatividade e habilidade no mic pra jogo. Hoje, já em 2020, é possível ver as influências desta obra em artistas como Baco ou Rodrigo Zin, que criam por essa veia mais artística do rap. Impossível entender a história da música brasileira sem ouvir Nó Na Orelha.

-JH

6. Emicida – O Glorioso Retorno De Quem Nunca Esteve Aqui

Depois de tomar conta da cena com mixtapes e EPs, Emicida lançou seu álbum de estreia com uma estética totalmente diferente. Até hoje sua obra mais bem feita e bem pensada, “O Glorioso Retorno” usa pela primeira vez com proeminência ritmos de samba, funk e MPB, variando entre canções com olhares positivos e negativos sobre a vida em comunidade e sobre o todo da sociedade, passando de uma relação de amor até a opressão sistêmica na favela. É o álbum mais bem produzido do rapper até hoje e – com exceção de Trepadeira- é muito bem escrito do início ao fim, colocando o MC como uma grande figura para além do rap, alcançando toda a cultura pop nacional.

-JH

5. Racionais Mc’s – Cores E Valores

O trampo mais (injustamente) contestado dos Racionais. Cores E Valores carrega o fardo de suceder o aclamado “Nada Como Um Dia Após o Outro Dia”  e talvez por isso não caiu tão bem para o público. Porém, é um ótimo disco “moderno” que acompanhou (se não a introduziu por aqui) a tendência de álbuns rápidos, concisos e com uma temática fechada, possuindo faixas interligadas e bem produzidas. É um projeto que precisava de um sucessor para o complementar, mas que, de toda forma, é um ótimo disco que traz ideias diferentes. Temos aqui os Racionais com uma roupagem atual, compatíveis com o cenário contemporâneo.

-Shaq

4. Rodrigo Ogi – Crônicas Da Cidade Cinza

Realmente é o que o nome diz. Em Crônicas Da Cidade Cinza, Ogi concatenou em um projeto todas as facetas urbanas de SP, aborda os diversos arquétipos presentes no âmago da selva de pedra, costurando-os com rimas afiadas, uma delivery variada e adaptando seu eu lírico para cada situação, de fato um cronista. Num futuro, esse disco vai ser estudado nas escolas por possuir estruturas literárias de uma maneira que antes nunca vi. Destaque para o storytelling do Zé Medalha entremeado no disco.

-Shaq

3. Rodrigo Ogi – Rá

é o aprimoramento de tudo o que deu certo em Crônicas. Um álbum sem defeitos, sem skips. Além da notável melhora na qualidade de produção e de voz, Ogi leva o seu storytelling para o próximo nível, ainda intocável por qualquer outro MC que se aventure por essas vertentes. Temos na trilogia de “Trindade” um experimento nunca antes feito no rap nacional, material suficiente para inúmeras análises semióticas, “Aventureiro” e “Correspondentes de Guerra” são faixas emocionantes e extremamente inspiradoras. Ninguém conta histórias como Ogi, e nenhuma história contada por Ogi se iguala a Rá.

-ASCENCIO

2. Bk’ – Castelos E Ruínas

Diziam que, pós Marcelo D2,  para o rap o Rio não tinha mais nada a apresentar. Bom, eis que das sombras surge um movimento, e daí surge uma surpresa tão inesperada quanto surpreendente, Castelos e Ruínas é o primeiro álbum não só do BK, mas também da Pirâmide Perdida como um todo, de lá já haviam saído diversas tapes (tanto do Néctar quanto do Akira) porém produção de álbum mesmo esse é o primeiro. Apesar de muitos dizerem que a produção deste é repetitiva e que muitas tracks se parecem, tendo a discordar, acredito que a linha de produção apresentada por El Lif e JXNVS dão tom e coesão ao projeto como um todo. BK apesar da estreia se mostra um MC bem a vontade e criativo, fazendo jus ao segundo lugar.

-Shaq

1. Emicida – Emicídio

O que você faz quando finalmente consegue quebrar um paradigma tão grande, mas tão grande a ponto de parecer algo impossível? Em 2009 foi isso o que Leandro fez com o seu Pra Quem Já Mordeu Um Cachorro e, geralmente, a exemplo de Cores e Valores dos Racionais, álbuns que sucedem projetos tão importantes e aclamados tendem a sofrer com comparações baseadas na alta expectativa que o impacto do trabalho anterior causou. É aquele momento que você olha pros lados e se questiona, “E agora?”, qual caminho seguir?, qual é o próximo passo? Demorou pouco mais de 1 ano pro Emicida nos responder essas questões. Em 2010 o quase homônimo Emicídio surgiu para confirmar a ideia na mente de seus entusiasta de que, sim, o rapper de São Paulo tinha chegado para ficar e para reinar, sua mixtape de estreia, definitivamente, não fora um evento isolado, na verdade era algo muito longe disso. A impressão é de que os holofotes e apostas feitas não pesaram de forma alguma para Emicida, a segunda mixtape não possui defeitos,  para muitos é a melhor caneta já vista em sua discografia, com linhas lendárias na história do rap, faixas que marcaram nossa adolescência e firmaram nossa índole, como “Cê lá faz ideia”, “Então Toma”, “Emicídio”, “Só mais uma noite” e “Beira de Piscina”. Multitemático, consciente e extremamente relevante, Emicídio é uma paulada, um amadurecimento espontâneo e rápido, uma granada que apenas um homem teve a coragem de puxar o pino.

-ASCENCIO