Fala seus não pode mais fazer top 10, é final de ano e pra alegria de alguns e ódio de outros, chega aquele momento: uva passa na comida listas de final de ano! E pra começar a sequência, vamos de melhores álbuns nacionais.

Dentre todos os lançamentos ouvidos, cada membro da equipe fez seu top 10 e os álbuns que mais pontuaram formam a lista final.

Sem mais enrolação, vamos lá:

10. “Ruas” por Fleezus

Sujo, direto e assertivo, tal qual Running do Febem, um dos melhores trampos com um sub-gênero especifico no brasa em 2019. Fleezus conseguiu encontrar o tom correto do ‘rap de tracksuit’, tem toda uma ambientação como o grime UK, porém, com um tom bem paulistano com pegadas de funk na produção. O único defeito é que acaba rápido.

Shaq

9. “Rap de Massagem” por Hot & Oreia

A meu ver, de certa forma 2019 foi a consolidação de BH na cena, tendo o carro puxado pelo Djonga e trazendo consigo toda a banca DV Tribo, incluindo Hot e Oreia, que mostraram a que vieram com um ótimo álbum, abordando temas atuais do nosso cotidiano de uma forma totalmente diferente do status quo do rap como um todo. Inclusive, me lembrou muito os Mamonas Assassinas com relação ao rock brasileiro do início dos anos 90.

Shaq

 

8. “Grana Azul” por Rodrigo Zin

A maior revelação do rap nacional em 2018, com três álbuns e duas vagas na edição anterior desta lista, em 2019, Zin mudou a estratégia, tomou seu tempo e passou o ano inteiro aperfeiçoando sua obra mais grandiosa: “Grana Azul” é um álbum profundo, minuciosamente produzido e um tanto complexo. A cada audição se nota algo que passou batido, um detalhe no beat, uma linha incrível, uma frase com significado mais implícito ou algo da história que o disco conta em sua 1 hora de duração. Zin é muito mais que um rapper: é um artista completo, tornando seu disco quase uma experiência cinematográfica.

JH

7. “Lógos” por Nill

Em 2019, niLL não decepcionou, de novo. “Lógos” é um projeto conceitual que se destaca dentre os demais álbuns lançados este ano por abordar um tema complexo de maneira leve e instigante. No novo álbum, além de um cd de rap, temos a jornada de um herói onde tudo é metaforizado de maneira brilhante, um olhar único capaz de mostrar ao público duas histórias: a do personagem em sua loja de brinquedo e a do próprio mc dentro do rap nacional. O mc jundiaiense, cada vez mais, delimita seu espaço único e extremamente característico na cena nacional. O cara tem a receita do bolo, fato.

ASCENCIO

 

6. “Ladrão” por Djonga

Gustaavo, Gustaaaavo… o homem que mais trabalha depois de Raffa Moreira, lançou mais um e novamente emplacou. Um trampo completo de capa a contracapa, com pouquíssimos erros, balizando todos os deslizes dos trampos anteriores e polindo ainda mais os acertos, Ladrão foi no primeiro semestre um dos melhores trampos do ano e, se não fosse o Amiri aos 45′ do segundo, estaria figurando no top 5.

Shaq

5. “Músicas Para Drift, Vol. II” por Yung Buda

Yanbura resolveu dar uma continuação à sua aclamada mixtape responsável por consolidar seu nome na cena. “Músicas Para Drift, Vol. II” acerta em muitos pontos, é uma das melhores produções do ano e tem, na minha opinião, o maior replay value da temporada nacional. A expansão do universo automobilístico de Buda tem seu lugar garantido no top5 graças ao trabalho estético do MC membro das Special Forces Ginyu. Desde a capa, passando pelas escolhas lexicais das palavras indo até a produção, tudo é composto no mesmo ambiente underground da cultura pop com muita influência da música eletrônica. Um trabalho único no ano de 2019, sem dúvidas.

ASCENCIO

4. “Running” por Febem

Esse ano Febem elevou o bastão de sua carreira solo. “Running” tem um pouco de tudo num equilíbrio e dosagem ideais. O carro chefe ainda é o grime, tornando o MC um dos melhores (se não o melhor) no subgênero em terras tupiniquins. Outro destaque vai para a produção atenta do CESRV, o produtor forma uma dupla perfeita com o MC. Além de tudo isso, o conceito por trás da parada, a correria, também é trabalhado de forma perspicaz numa união entre o melhor dos dois mundos, neste álbum temos forma e conteúdo. Vi Febem ao vivo no CCSP e o cara é brabo memo, seloco.

ASCENCIO

3. “O.N.F.K” por Amiri

Primeiro de tudo: ninguém, nesse país consegue fazer uma faixa como “Um Dia de Injúria/Pantera Preta”. Dito isso, o álbum vai bem mais além: a lírica de Amiri é colocada pra jogo como já nos acostumamos a ver toda vez que o melhor liricista brasileiro dropa algo, variando entre a história do personagem Rakim, passando por diferentes sentimentos e momentos da vida com uma profundidade que anda em falta, usando produções mais focadas em ritmos negros. No braggadocio, beats sujos e uma pedrada atrás da outra. Espero não precisar esperar mais tanto tempo para ouvir de novo o MC num álbum completo.

JH

2. “Veterano” por Nego Gallo

Mesmo sendo seu álbum solo de estreia, Nego Gallo, aos 44 anos, já é um veterano, no rap e na vida. Após atingir notoriedade no grupo Costa a Costa (do qual também participava Don L), o rapper cearense mostra toda sua vivência, falando sobre tudo que já passou até este ponto, seja para refletir sobre as dificuldades, seja para comemorar gritando para todos os cantos: O bagui virou. Destaque também para a produção diversificada e certeira colocada por Coro MC e Léo Grijó, que passa por ritmos como funk, trap e mais proeminentemente o reggae. “Veterano” é o pacote completo.

JH

 

1. “Abaixo de Zero: Hello Hell” por Black Alien

Uma lenda do rap nacional, Gustavo depois de um longo tempo voltou a lançar um disco, pro bem do rap nacional. Bem mais velho, longe de vícios e com sabedoria e vivência de sobra a compartilhar, Alien traz o melhor álbum do ano com um ´projeto sem fillers, sem faixas abaixo da média e repleto de boas rimas e bons refrões, e a produção impecável de Papatinho (aos sites que fazem essas votações: se derem produtor do ano pra outro cês tão moscano), o grande legado da Cone para o rap nacional. Seja pra pensar sobre questões mais sérias, cantar com a @ ou dar risadas (eu ainda não superei a “to que nem o meu cachorro no domínio do latim”), “Abaixo de Zero” é um álbum para se ouvir todos os dias.

JH