WAAAAAAAAAAASSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSUUUUUUUUUUUUUUUPPPPPPPPPPPPP (insira aqui uma referencia maneira a cumprimentar pessoas com que não falamos a tempo, e que muitas entendam e deem gostosas gargalhadas).

Shaqzito está de volta, até sumir novamente, e hoje vou estrear no mundo das classic reviews. Caso ainda não tenhais percebido, eu nunca fiz uma dessa, bem como nunca dei um perfect score (o cinco shits do Baco foi cancelado, já falei com nossos advogados). Como vocês já leram aí no titulo e na imagem hoje vamos falar do melhor mais subestimado álbum do homem, hoje cristão renascido, Kanye West. Então como prelúdio aí do review que logo menos o Shoão vai trazer aqui pro site, fiquem com essa classic review.

Começando eu quero explicar como vou organizar essa revisão, quero fazer um recap de onde Kanye estava vindo, como estava o mundo e o impacto d’O Late Registration na cena e o que veio a influenciar no futuro. Como o álbum tem muitas tracks, um faixa a faixa ficaria cansativo, portanto, vou passando em “grupos” e como elas conversam entre si e vão construindo o conceito do disco.

Partindo do principio do criminoso mais famoso da terra da rainha, vamos por partes: o ano é 2005, o gangsta rap atingiu seu pico e é o início de seu fim, e Kanye vinha do muito bem recebido, produzido, The College Dropout, com ele, West tinha se provado que além de um produtor de mãos cheias, que segundo a Apple: “revigorou a carreira de Jay-Z”, também era um ótimo rimador, capaz de entregar linhas memoráveis como:

I went to the malls and I balled too hard
“Oh my god, is that a black card?”
I turned around and replied, “Why yes
But I prefer the term African American Express”

E seguindo a tônica de fazer paralelos da vida acadêmica com a vida cotidiana e dificuldades dos negros na América, Kanye nos entregou o que seria o seu sophmore year, onde já se acostumou aos percalços da vida. Já na abertura temos uma intro que seta o ritmo dessa primeira parte, onde um professor o cobra, falando que o veria novamente em sala após o suposto “Dropout” e é cobrado por estar dormindo em sala, já conectando a abertura da primeira track “Heard ‘Em Say” em que somos bombardeados com criticas ao governo Bush, críticas ao salário mínimo e a desigualdade salarial dos negros, à cultura do consumismo, falta de oportunidades no mercado de trabalho, entre outras. Com uma produção que hoje consideramos “bem Old Kanye” e com refrão do Adam Levine, que foi muito inovador pra época e influenciou muitos rappers a colaborares com cantores do Pop e do Rock mais a frente, coisa que West e Pharrell já vinham fazendo a tempos.

O par de músicas seguinte “Touch the Sky” e “Gold Digger”, a segunda principalmente, já vêm com uma vibe mais sarcástica e satírica, de situações da vida real, levando para um lado mais comercial e braggadocio do projeto, abordando temas comuns à classe abastada da California (que curiosamente Ye veio a fazer parte num futuro não muito distante daqui) de acordos pré nupciais, reconhecimentos de paternidade e golpes da barriga para ascensão social. E já na sequencia temos o primeiro skit, inversamente proporcional às faixas antecessoras, que traz por meio de uma fraternidade universitária (Broke Pi Broke, genial rs.) os “irmãos que não pegam mulher, pois não tem grana pra gasolina”, trazendo o contraste da distribuição de renda.

Mais à frente, com a trinca “Drive Slow”, “My Way Home” e “Crack Music” Ye traz os primeiros convidados para dividir o holofote, grande destaque aqui para o jovem The Game que à altura estava no seu primeiro disco e carregando a costa oeste nas costas (trocadalho não intencional), e Common com uma verso praticamente solo com um outro de Gil Scott-Heron, com sua versão de o que é o lar.

No miolo do disco, temos mais duas skits (engraçadas, mas mais do mesmo com relação a primeira) “We Major” e “Celebration” que têm ótimas produções e um verso ‘OK’ do Nas, e temos um dos primeiros registros do que no futuro viria a ser a dupla The Throne, em “Diamonds From Sierra Leone” Kanye e Hova, rimam, Ye mandando fogo sobre recorte de sample de Shirley Bassey, seguido pelo Mr. Carter o complementando com um ótimo verso de crack rap, mais crack rap que a “Crack Music” de antes.

Chegando aos finalmentes, as faixas finais são na minha opinião as mais bem produzidas, “Late” com aquele clássico sample cortado com refrão que completa a track e “Gone” tem vocais absurdos do Consequence (inclusive melhor que o Ty Dolla) e um puta verso do Cam’ron. Nessa reta final, uma das coisas que são mais Kanye, como ele disse no TLOP, “that would be so Kanye”, foi colocar uma música emocional como “Hey Mama” na tracklist, como disse mais ai pra cima, no pico do gangsta rap, bling e braggadocious, Ye fez uma belíssima homenagem a dona Donda, o que explicitou que ele viria a ser de fato diferente, tal qual a capa do disco que enquadra o  Dropout Bear entre as portas de entrada da faculdade “não se encaixando à cena atual” e sendo diminuído por isso (créditos: Genius), West homenageia a mãe intercalando versos de enaltecimento da infância com o sucesso de agora poder dá-la tudo o que a fama o proporcionou e enfatizando o orgulho que ele sente por ela tê-lo criado sozinha.

Colocando tudo em perspectiva, Late Registration é um grande álbum, com uma produção inovadora, misturando o que West já fazia de melhor, cortando samples e juntando à instrumentos eruditos que mais adiante foram muito incorporados por outros produtores como Lex Luger, Mike Will, TM88 e outros à sua própria maneira de produção. Inclusive essa mistura de erudição, samples de soul e rap, deu origem à versão ao vivo deste trabalho que foi cunhada como Late Orchestration, gravado ao vivo no lendário estúdio Abbey Road, no ano seguinte ao lançamento.

Sem mais, Late Registration é um dos grandes trabalhos de Kanye West, produzindo, rimando e inovando e depois de quase 15 anos, muitas linhas ainda fazem sentido, como um bom vinho quanto mais tempo passa, melhor se situa na nossa cultura.