No último dia 11/10, depois de um longo período de espera imposto aos fãs de rap, chegou o momento: a rapper e cantora paulistana Drik Barbosa, uma das maiores promessas do rap nacional nos últimos anos, finalmente lançou seu álbum de estreia. O álbum sucede o primeiro trabalho da artista, o EP Espelho, que saiu no começo do ano passado. Assim como em seu EP, o álbum tem a temática centrada na imagem da artista, onde ela conta e reflete suas vivências como mulher negra e seu caminho até chegar ao álbum.

Criada nas rodas de freestyle e na lendária Batalha do Santa Cruz, Drik primeiro chamou a atenção da cena em larga escala com seu verso matador na faixa Mandume, de Emicida.  Após essa aparição, Adriana (nome real da MC) esteve ativa: lançou um álbum em seu grupo Rimas & Melodias, apareceu em edições de Poetas No Topo e Poetisas No Topo e colaborou com vários outros rappers como Kamau e Bk’, até chegar o momento em que seu primeiro álbum seria publicado. Após o EP Espelho ter a função de delinear a personalidade dela e suas habilidades artísticas, o álbum chama atenção por isso: Drik consegue com facilidade passear entre diferentes ritmos, diferentes flows e temáticas as vezes numa só música, com variações grandes entre uma faixa e outra. O que poderia ser um grande destaque, acaba, porém, soando mais como um cartão de visitas do que uma obra completa e coesa.

Vamos deixar isso claro: Ela varia entre canto e rima como poucos na cena. Se em “Grave” ela se vale de diversos trocadilhos extremamente inteligentes, em “Até O Amanhecer” ela tem uma faixa extremamente sensual com voz, produção e letra. O problema se torna quando essa busca excessiva pra mostrar uma versatilidade para além do rap e r&b (que já tinham se destacado em Espelho), deixando o álbum confuso sonoramente. Em pelo menos três faixas se vê batidas com forte influência do dancehall, além de passagens por pagode baiano, pop, funk 150bpm, dance ou trap, a produção soa mais como uma tentativa de encaixar com perfeição os artistas convidados do que realmente o som próprio da artista. “Quem Tem Joga”, o primeiro single do disco, é mais um “hino pop de baladas universitárias ou LGBTQ+” que Glória Groove e Karol Conká se acostumaram a fazer  nos últimos anos do que qualquer outra coisa, com Drik soando como a verdadeira convidada da música; ou em “Liberdade”, onde o verso da rapper britânica R.A.E rouba a cena, ou ainda “Luz”, que é toda como uma colaboração padrão de Emicida e Rael, mas entregue no álbum da rapper. Não que ela não entregue bons versos ou que essas canções não sejam boas, mas pra um álbum de estreia era de se esperar a cara da artista aparecendo com mais força.

Na segunda metade do álbum, onde os feats ficam mais escassos, a MC mostra seu brilho. Em “Rosas”, outro single prévio, a rapper entrega o pacote completo: exploração da sua voz, flow encaixado num beat de soft trap, ótimos versos e um ótimo refrão. Em “Renascer” há uma carga espiritual forte, onde ela mostra gratidão por ter chego onde chegou, sendo outro ponto alto no álbum, assim como a faixa que encerra o disco, “Sonhando”, onde homenageia mulheres que abriram o caminho para que ela pudesse chegar a esse estado. Ao longo das faixas mais focadas ela demonstra grande orgulho e gratidão por ter chego a esse ponto de lançar seu álbum oficial, e isso realmente causa empatia no ouvinte. Drik tem enorme capacidade de aproximar o ouvinte da sua realidade passada e de seus sentimentos presentes, e essa característica é compartilhada pelos melhores.  Ainda, em alguns momentos, o álbum poderia ser mais trabalhado. Na faixa “Herança”, que tinha potencial para ser a melhor do disco a gravação soa como se feita com um celular, sendo audíveis os suspiros e puxadas de voz da rapper, enquanto o refrão de “Liberdade” poderia se beneficiar algumas revisões, e “Tão Bom” aparenta ser mais um filler do que qualquer coisa.

Embora em planos gerais seja uma audição agradável, ainda faltam detalhes que separam o álbum auto intitulado de “Drik Barbosa” de um grande trabalho; o que é totalmente normal para um primeiro disco e para uma artista que ainda está encontrando exatamente onde se colocar na indústria. Fica o lamento de que não foram tão explorados quanto deveriam os pontos fortes da artista, os quais o disco mostrou com clareza que são realmente muito fortes. Ao ouvinte, pode manter uma certeza: Drik veio para ficar.