E ai, fãs do Padre Fábio de Melo? Na véspera da data do anunciado lançamento de ‘Jesus Is King’, nono álbum solo de Kanye West, vamos falar sobre o caminho que o trouxe até aqui, chegando ao ponto de lançar um disco com uma temática completamente cristã, como é evidenciado pelo título e pela Tracklist, além do seu projeto semanal chamado ‘Sunday Service’.

Primeiramente Kanye sempre foi um homem cristão e sempre usou essa temática em suas músicas, tendo inclusive como o seu breakout single a faixa Jesus Walks, do álbum ‘The College Dropout’. Apesar de não ser a temática principal, foi um tema ocasionalmente abordado ao longo da carreira do MC, tendo linhas desta ordem em todos os discos lançados até hoje. O momento de destaque dele nesse sentido foi no disco ‘The Life Of Pablo’, cuja narrativa faz referência à vida do apóstolo Paulo, que era um pecador e perseguidor de cristãos e que após sua conversão se tornou um dos personagens mais importantes da bíblia e na disseminação do cristianismo. Kanye se põe no lugar de Paulo com as divergências entre sua vida pecaminosa e controversa e sua nova vida como um homem cristão e focado na família, como evidenciado na capa do disco e nas temáticas das faixas, tendo como ponto central as faixas “Wolves” e “Ultralight Beam”, onde Kanye abre o álbum com um sample de uma criança dizendo “we want no doubters in the house/we want The Lord and that’s it”, de forma a apontar a direção do disco.

Após o lançamento do álbum, porém, foi quando se iniciou a caminhada de Kanye ladeira abaixo. Em uma badalada e glamurosa turnê pelos EUA, Kanye chegou ao ponto de ter um colapso mental, onde em um concerto em Sacramento Ye fez um longo discurso atacando pessoas com Jay-Z e Beyoncé e encerrou o show, após tocar apenas três músicas; logo após isso o restante da turnê foi cancelada e o rapper foi internado numa clínica psiquiátrica e posteriormente diagnosticado com transtorno bipolar. Após um 2017 quieto, em 2018 Kanye voltou à midia ao anunciar a sequência de 5 lançamentos da GOOD Music produzidos por ele em um mês, mas uma sequência de falas polêmicas colocaram a opinião pública toda contra ele.
Em um curto espaço de tempo Kanye declarou veementemente seu apoio a Donald Trump, apareceu diversas vezes usando o “MAGA hat” e disse – mesmo que não fosse exatamente o que ele estava tentando dizer – que a escravidão foi uma escolha da população negra. Após o lançamento do mediano ‘ye’ e do excelente, mas pouco badalado ‘Kids See Ghosts’ (este em conjunto com Kid Cudi), Kanye seguiu envolvido em polêmicas: esteve no centro da guerra entre Pusha-T e Drake, que o acusa de ter vazado a informação de que Drake tinha um filho a Push, teve um desastroso encontro público com Trump na casa branca e seguiu com alguns tweets polêmicos, até que anunciou para setembro seu novo álbum, entitulado ‘Yandhi’, que até hoje não foi lançado.

Então, no dia 4 de janeiro deste ano vimos alguns vídeos do primeiro Sunday Service, reunião dominical da família de Kanye West com um coro de igreja, inicialmente chegando ao público apenas alguns vídeos curtos de algumas músicas famosas da carreira do rapper, como ‘Ghost Town’, ‘Heard Em Say’ ou ‘Father Stretch My Hands’, em LA, onde vive o artista. Em fevereiro a reunião passou a ser em local aberto, ainda em Calabasas, bairro de Kanye, onde se reunia além da banda convidados de Kanye ou Kim, tendo entrado na cultura pop após esse vídeo de Kanye West de cabelo vermelho fazendo um beat contagiante viralizar. O encontro passou a mostrar performances de músicas não apenas de Kanye mas também músicas realmente gospel, com Kanye ficando em segundo plano por diversos momentos. O crescimento de popularidade do evento chegou ao seu ápice quando Kanye anunciou a participação da equipe no Coachella, na manhã da páscoa. O show foi uma perfomance incrível, com alto público, uma performance impecável da banda com músicas de igreja e Kanye pouco aparecendo, tomando o posto central apenas nas músicas Jesus Walks e na apresentação do primeiro single do novo disco: Water, com Ty Dolla $ign.

Após a apresentação do Coachella ter sido um grande sucesso e Kanye permanecer totalmente calado durante todo o ano – o último tweet foi dia 1 de janeiro e suas únicas entrevistas foram para o programa de David Letterman e para a revista Forbes – o show continuou ocorrendo semanalmente de forma itinerária, como se fosse uma turnê, porém sem aviso prévio. A palavra corria de boca a boca até que as pessoas descobrissem que o grupo estaria na cidade naquela semana, em concertos cada vez mais voltados a Deus e com Kanye aparecendo em destaque pontualmente, mais fazendo alguma batida do que cantando. Nos últimos 2 meses as coisas se intensificaram, com diversos vídeos viralizando na internet do grupo modificando algumas músicas famosas, como Sicko Mode de Travis Scott, para uma temática mais cristã, até que Kim Kardashian publicou uma foto em seu twitter o que seria o anúncio de um novo álbum de Kanye, posteriormente confirmado pelo mesmo.

Embora sempre tenha sido cristão e mostrado sua fé em algumas faixas, os pontos baixos vividos nos ultimos tempos o fizeram buscar na igreja um refúgio, indo mais fundo do que nunca na questão religiosa. Embora isso vá contra o longo histórico do rapper de atrasar ou até mesmo cancelar seus discos, Kanye e Kim mantém que nesta sexta-feira o álbum será lançado, como todos os fãs ansiosamente esperam.