Kanye West tem um dos catálogos mais impressionantes e consistentes da história do hip hop (talvez o melhor), tendo no cinturão no mínimo três clássicos e discutivelmente muito mais que isso. Cada álbum traz inovações em relação ao anterior, mesmo sendo uma sequência direta (como nos seus três primeiros trabalhos, a chamada “College Trilogy”), sendo uma tarefa difícil colocá-los lado a lado e comparar em pé de igualdade. Com uma discografia tão variada com a de Mr. West, é difícil encontrar 2 pessoas que concordem na mesma classificação de álbuns, tendo exemplos bizarros como Yeezus, que foi votado na Pitchfork como álbum mais subestimado de 2013 E álbum mais superestimado de 2013. Tendo todas essas questões em mente, a equipe do Rap Sh!t votou e, conforme todas as opiniões, apresentamos o ranking do site dos álbuns de Kanye West, contando projetos solo e colaborativos:

11. Kanye West Presents: GOOD Music — Cruel Summer (2012)

Em último sem tanto debate, Cruel Summer foi um victory lap pra Kanye após empilhar prêmios e atingir o ápice do sucesso que um rapper pode ter após dois clássicos em dois anos em “My Beautiful Dark Twisted Fantasy” e “Watch The Throne”. Nele Kanye traz toda a equipe do seu selo, GOOD Music, e mais convidados para um álbum compilação, com faixas envolvendo diversas ideias diferentes. Na produção Kanye segue a estética luxuosa e maximalista dos dois projetos anteriores, produzindo alguns grandes hits em ‘Mercy.1’ ou ‘Clique’ e outras faixas criminosamente subestimadas, como ‘New God Flow’. Álbuns em grupo não costumam gerar grandes projetos em termos de consistência e coesão, e nesse escopo pode-se dizer que Cruel Summer está acima da média.

Melhores faixas: Mercy.1, New God Flow, Clique, Sin City

– Hermógenes

10. ye (2018)

O mais recente solo e o projeto mais questionado (se é que é possível um lançamento sem controvérsia) que fez parte dos lançamentos de Wyoming do meio do ano passado, onde Kanye se destacou muito mais pela produção que pelos versos em si, aborda um lado muito mais psicológico e do resultado da ultra exposição da mídia, problemas familiares e preocupações futuras. E apesar de se chamar ye, ficou lembrado pela frase “I hate being bipolar, its awesome” estampada na capa do projeto, feita de última hora. Este trabalho é a sintese do que Kanye West se tornou, um artista que compõe sua arte “on the go” e como resultado final temos algo que pode soar confuso, porém de certo modo inovador com lampejos de talento.

Melhores faixas: Yikes, All Mine, Ghost Town, Violent Crimes

– Shaq

9. The Life Of Pablo (2016)

Um trabalho que foi tudo, antes de ser o que se tornou, assim é The Life of Pablo. Quando foi divulgado, similar ao Jesus Is King, com uma foto de um caderno de anotações, TLOP foi batizado de So Help Me God, numa onda que Ye havia anunciado uma suposta campanha presidencial para 2020, foi postergado e rebatizado como SWISH e posteriormente re-rebatizado para Waves e no fim nos foi entregue como o conhecemos hoje, com muitas inspirações sacras e comparações com a vida do apóstolo Paulo, Kanye se propôs aqui a iniciar uma conversa sobre o estado mental e da nossa sociedade comportamental (que culminou em ye depois) abordando diversos temas como a fama, drogas, como somos vistos e julgados e relacionamento com parentes e amigos que mudam conforme status social, de uma maneira muito instrospectiva. Com diversas participações de peso como sempre, Kanye as utilizou de forma muito incomum, gravando diversas versões que até hoje aparecem na internet (a versão de Ultralight Beam do Chance >>>). Uma curiosidade sobre o disco, ele não pode ser inscrito em nenhuma premiação pois após o lançamento, Ye ainda estava trabalhando em mixagens e versões, o que resultaram em três ou quatro delas antes da final disponível hoje em dia, culminando na invalidação do “lançamento” oficial e na contagem de vendas.

Melhores faixas: Father Stretch My Hands Pt.1, No More Parties In LA, 30 Hours, Facts, Saint Pablo

– Shaq

8. Graduation (2007)

No terceiro e último álbum da trilogia com temática universitária de Kanye, mais uma vez o artista foge um pouco do estilo dos anteriores, incorporando elementos de música eletrônica em diversas faixas, como o maior hit da sua carreira, “Stronger”. Embora seja o terceiro seguido álbum vencedor de grammy de três lançados pelo rapper, Graduation foi o primeiro sinal de oscilação, tendo algumas faixas muito abaixo de qualquer coisa dos trabalhos anteriores (deveríamos todos esquecer de Drunk And Hot Girls), enquanto os pontos altos do álbum também são altíssimos (a sequência das 6 primeiras faixas é a melhor da carreira de ye). É provavelmente o álbum da trilogia que mais se encaixa na sonoridade atual, tendo replay value altissimo até hoje.

Melhores Faixas: Good Morning, I Wonder, Flashing Lights, Homecoming

– Hermógenes

7. Jay-Z & Kanye West — Watch The Throne (2011)

2011 parecia o momento perfeito pra que Jay-Z e Kanye West se unissem em um álbum. Além da ascensão de Drake, ameaçando o reinado de ambos, era a união de Kanye, o melhor rapper do momento, e Jay, o melhor rapper da história. E não se deixe enganar: o álbum é um clássico pela cultura. Niggas in Paris é possivelmente a maior música de rap dessa década, enquanto OTIS é uma das melhores produções de toda a carreira de Kanye; o álbum, embora tenha Jay-Z no centro das rimas e Kanye comandando a produção (seguindo na toada maximalista e luxuosa de My Beautiful Dark Twisted Fantasy), tem os dois artistas indo cabeça a cabeça em cada faixa pra provar quem é o digno do trono, num álbum que é uma celebração da grandiosidade dos dois como artistas e pessoas, além de ser extremamente consciente socialmente (30% dos versos possuem temáticas sociais, acima do que vemos para ambos). Nessa batalha, quem venceu foi o público que acompanhou esse momento histórico.

Melhores faixas: No Church In The Wild, Niggas In Paris, OTIS, Murder To Excellence, Illest Motherfucker Alive

– Hermógenes

6. Late Registration (2005)

Após o sucesso estrondoso de sua estreia em The College Dropout, Kanye tinha prestígio (e capital) elevados para gastar no que quisesse na produção do seu segundo álbum. Usou isso para trazer uma composição musical bem mais luxuosa, com o apoio do grande produtor, compositor e instrumentalista Jon Brion. Somado a isso, o disco, que ao meu ver é o mais completo da trilogia ‘College’, conta com o melhor liricismo de Kanye em toda sua carreira, tocando em diversos assuntos sensíveis como guerra, racismo, pobreza e uma homenagem a sua mãe. O álbum ainda traz o 1o grande hit de Kanye, “Gold Digger”, que ele próprio disse que não gostava muito, mas sabia que ganharia seu dinheiro com ela. Real Kanye move.

Melhores faixas: Touch The Sky, Diamonds From Sierra Leone — Remix, Hey Mama, Gone

– Hermógenes

5. The College Dropout (2004)

Um grande clássico do gênero logo no seu primeiro álbum, trouxe de volta os soul beats pro mainstream, ainda é um álbum super divertido de se ouvir, com um grande valor de replay. Pra mim, o mais consistente da trilogia “College”, o que melhor envelheceu e também indiscutivelmente traz as melhores perfomances de Ye no mic, o que a epoca surpreendeu a muitos que não esperavam tanto de um “álbum de produtor”, mas o tempo provou que Kanye viria a ser bem mais que isso.

Melhores faixas: We Don’t Care, Never Let Me Down, Slow Jamz, Through The Wire

-Vinar

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4. Yeezus (2013)

Sempre escutei que esse álbum era algo a frente do seu tempo, e sempre achei algo clichê e forçado que fãs falavam só pra colocar o Kanye num pedestal mais alto do que já estava, afinal eu nunca tinha me dado bem com esse projeto. Então, há mais ou menos um ano atrás, resolvi dar uma nova oportunidade pra esse álbum e foi aí que nosso senhor Yeezus me agraciou com ouvidos renovados e abençoou com suas palavras. Agora sério, Yeezus pulou pro topo do meu ranking pessoal de álbuns do Kanye, por mesclar tão bem a experimentação com o mainstream do hip hop, e mostrar os dois lados de um “Deus”, a superconfiança, a sensação de ser imbatível e as vulnerabilidades de Ye.

Melhores faixas: New Slaves, Hold My Liquor, Blood On The Leaves, Guilt Trip

-Vinar

3. 808s & Heartbreak (2008)

Após um sucesso estrondoso e nome consolidado com seus três primeiros álbuns, a vida pessoal do rapper não ia tão bem: sua mãe faleceu no final de 2007 e em 2008 seu noivado teve um fim, colocando Kanye em profunda tristeza. E ela toda é refletida neste álbum, que mudou o curso do hip hop pra sempre. Com a ajuda de Kid Cudi, um jovem mc de Cleveland, que encantou West por seu estilo envolvendo porções cantadas e uma estética mais suave no rap, Kanye criou um álbum com uma carga emocional muito mais pesada, uso forte do autotune para potencializar sua voz e produção mais lenta e suave, sendo o ponto de partida para toda uma geração de rappers que se destacam por uma ou outra área citada, como Drake, Travis Scott, Future ou The Weeknd. O álbum de rap ideal para a hora da fossa, 808s & Heartbreaks é o ponto de partida para entender o rap de 2010.

Melhores faixas: Say You Will, Heartless, Paranoid, Coldest Winter

-Hermógenes

2. Kanye West & Kid Cudi — Kids See Ghosts (2018)

Após colaborarem e mudarem os rumos do hip hop pra sempre em 808’s & Heartbreak, serem frequentes colaboradores e passarem por problemas em amizade e de saúde mental, Kanye West e Kid Cudi se uniram pra mais uma grande obra, o aguardado álbum conjunto da dupla. Nesse álbum, carregado com uma grande carga espiritual e muitas vezes cristã, a dupla cria um álbum sem semelhante no mainstream do hip hop (como é de praxe para ambos), criando uma obra praticamente perfeita, onde o melhor dos dois artistas é colocado na mesa: Kanye dá o tom na produção, estética e temática do álbum, aparecendo sempre com grandes versos (Reborn tem o álbum mais introspectivo de Kanye em anos) ou cantando em alguns momentos, enquanto Push assume o ponto central com a sua voz no melhor nível desde o começo da década e os hums que já são sua marca registrada. O único defeito de Kids See Ghosts é ser tão curto.

Melhores faixas: Feel The Love, Reborn, Kids See Ghosts, Cudi Montage

-Hermógenes

 

1. My Beautiful Dark Twisted Fantasy (2010)

Sem dúvida o magnum opus da carreira de Kanye, My Beautiful Dark Twisted Fantasy é frequentemente considerado o melhor álbum da década e um dos melhores álbuns de rap da história. Após ser uma figura controversa durante toda sua carreira, a reputação de Kanye chegou no fundo do poço após o escândalo com Taylor Swift no VMA de 2009. Então Kanye se isolou no Hawaii, onde trabalhou no seu novo projeto com diversos colaboradores dos mais diversos estilos musicais, como Bon Iver, Jay-Z, Elton John, No ID, Jeff Bhasker e até Chris Rock, passando pelo rock progressivo, soul e eletrônico, entre outros gêneros e subgêneros . Além de Kanye rimar em alto nível em faixas como ‘Gorgeous’ ou ‘Monster’, ainda traz convidados com grandes versos, com o inesquecível verso de Nicki Minaj em ‘Monster’ ou Rick Ross em ‘Devil In A New Dress’. Todos esses elementos amarrados por um gênio musical como Kanye fazem o disco ser o mais próximo da perfeição que o hip hop já viu.

Melhores faixas: Gorgeous, POWER, Devil In a New Dress, Runaway, Lost In The World

-Hermógenes