Iae amiguinhos, quanto tempo hein?! Somente o samurai ninja do corte de sample de soul aka Kanye West para me retirar da minha reclusão da sociedade e escrever/orientá-los no caminho da luz. Como vocês sabem, estamos fazendo um especial até o (suposto) lançamento de Jesus Is King (também conhecido como o plano final de Deus para converter todos à neopentecostalidade batista americana por meio de Mr. West), falando aí durante essa semana sobre assuntos relacionados ao Homem, até o review do álbum em si. E chegou minha vez!

Pensei bem sobre fazer um review de algum trampo dele que deixamos passar, ou algo do tipo, mas vou deixar pro Cacique (spoiler dos próximos dias aí). Aí vou tecer meus dez centavos sobre a faceta favorita do marido da Kim Kardashian: O Produtor.

E não posso deixar de citar uma linha cronológica, desde o garoto de 19 anos produzindo pro GLC, até agora, o homem que move artistas e grandes personalidades para um culto dominical somente com a sua influência na cultura pop. Lá no começo, acredito que o que tenha chamado a atenção dos grandes nomes foi a forma que West conseguiu, e ainda consegue, unir as mais diversas inspirações e influencias, de A Tribe Called Quest a Michael Jackson, passando por muitas e muitas influencias de soul, jazz e blues, como podemos ver na sua marca registrada: o corte de samples e composição com vozes.

Cronologicamente falando, podemos ver uma mudança gradual sem deixar o ‘core’ da produção de lado, comparando por exemplo, Down and Out do Cam’ron de 2004, com 4th Dimension do ultimo trabalho (Kids See Ghosts), apesar da evolução de ter toda uma estética condizente com a música que ouvimos hoje em dia, Kanye mantem o seu modus operandi de corte de samples e utilização do contexto da música utilizada na sua composição, ou no caso do Cam’ron e outros artistas, provavelmente auxiliando no processo criativo.

Com isso dito, pode-se pensar que Ye está preso a uma formula de produção/composição, mas o que vemos na verdade é um artista preocupado em se diversificar em múltiplas frentes, culminando em situações como as citadas no texto do Hermógenes, na produção de “Yandhi” (que jamais ouviremos) após as diversas remarcações, Kanye foi à África e no meio da savana em Uganda, montou equipamentos de áudio para captar a “essência musical da África” em sua produção. Ou ainda em 808’s and Heartbreak, quando West dispensou sua AKAI2000 e produziu todo o trabalho em sua maioria com uma Roland TR808, e é focado principalmente em sons mais graves e melódicos.

Tudo que foi esculpido por Ye nas mesas de produção não chegam perto ao que saiu dessa mente instável em 2013, Yeezus é de longe seu trabalho mais ‘controverso’ e que mais diverge opiniões. Sendo categorizado como um trabalho com influencias de rock, eletro, noise music, hardcore e industrial wave, pra muitos é o trampo mais revolucionário do rap nos últimos anos, para outros o pior disco do mc de Chicago, a verdade é que sem dúvida, muito do que ouvimos hoje. (cof cof, travis scott, a$ap rocky e afins)

Bom, fechando a conta, atualmente Mr. West tem novamente se destacando muito mais pelas produções do que por suas rimas, recentemente em 2018 fez aquela loucura de ir pro Wyoming e produzir álbuns de quase toda a Good Music, e também do Nas, que na minha opinião é um dos melhores discos do MC de NY em muito tempo (desconsiderem a Lost Tapes mais recente). Essas produções recentes nos deram os ótimos: KIDSSEEGHOSTS (a dupla e o disco, que inclusive terá mais colaborações no futuro), DAYTONA, o já citado NASIR e ye (que muitos acham bagunçado), rumores apontavam ainda um disco nesses moldes para Cyhi The Prince e Ty Dolla $ign que infelizmente ainda não viram a luz do sol.

Seja como for, apesar das controvérsias Kanye é um produtor de mãos cheias que ainda tem muito o que apresentar, muito a inovar e nos surpreender, vamos ver quais as cartas na manga ele traz em Jesus is King.