Olá pessoas da raça humana bípedes e com polegares opositores ceis tão suave? Espero que sim pq eu to demais, depois de um tempinho sumido (sempre falo que não vou ficar mais fico). E sim senhoras e senhores, fomos surpreendidos… gostaria que novamente, mas são raras as situações, Febem aka Febemgibbs aka Febembappé aka Inimigo #1 do Damassaclan (ou crew) lançou um disco e diferente de seus antecessores (inclusive quando ainda fazia parte do ZRM) conseguiu uma sonoridade “própria” e muito bem ajustada, Running me surpreendeu positivamente e continua comigo ai pra você descobrir o porquê.

Começando pela capa e pela atmosfera proposta, já de cara vemos que Febem se propõe a discutir as múltiplas facetas da correria, seja ela do dia-a-dia, do trabalho, tráfico ou do ato de correr em si, na intro que leva o nome do disco vemos um ambiente bem mais leve que o resto do projeto que nos prepara para o que virá em seguida.

Como eu citei no começo do texto esse trampo me surpreendeu muito, pois estava esperando algo mais parecido com os discos antecessores, não que Febem não seja talentoso, muito pelo contrário, desde de seus tempos na banca do menino que encaixa com a caixa, eu o via como um MC de grande potencial, porém que por vezes ficava aquém do que se propunha a performar ou se apoiando demais sobre um conceito/influencia que soava “não original”, apesar de bem executado, por exemplo no disco anterior, víamos uma influência muito direta do grime inglês que foi muito bem executada, porém não muito original. Aqui em “Running”, Febem, produzido pelo CERSV (vou falar mais a frente) conseguiram encontram o pH ideal entre a influencia e a originalidade para soarem bem naturais.

Sobre a caneta do MC, segue afiada e ácida, que é melhor característica do Febem na minha opinião, a habilidade de dentro de uma linha ser uma farpa pra alguém e ao mesmo tempo um deboche sobre uma situação, como na track “Fé de Jó” onde sobra uma pontinha pra cena e pra um certo coletivo:

Família meu império vou lhe contar uma historia
De quem jogou na Europa e decidiu voltar pra várzea
Agora é seleção e segue causando stress
Ouvi dizer que pra suprir a perda contrataram dez
Vai brasil!
Ó lá, caiu!
Agressor de mulher
Quem? não sei!
Sacode o rap aí que vai cair mais cem

Em grande parte das tracks vemos ainda muita influencia do grime, muito mais equilibrado como já supracitado, aqui e ali percebemos muito do funk também que casou muito com a proposta do trampo como um todo, as tracks são muito bem produzidas, as transições que dão a impressão de serem todas “ligadas” são um detalhe a parte, todas levam assinatura do CERSV com exceção da “R.U.A” que foi produzida pelo Pizzol. Outro fator muito acertado foi na duração, desde o lançamento do “Cores e Valores” eu venho dizendo, álbuns de 30 a 50 minutos, com 10 faixas são o ideal, curto o suficiente pra não sair do repeat, e não longo o suficiente pra serem deixados de lado, nos dias de correria (trocadalho intencional) ninguém tem mais de uma hora pra dedicar à um projeto inteiro.

No mais é isso, Febem coloca um bom trampo na rua, que creio eu ser capaz de o colocar uma prateleira acima no “jogo”, as faixas são bem coesas e compõe muito bem o seu propósito no todo e são boas o suficiente pra funcionarem sozinhas, destaque para a “Bolt” que saiu como single, as participações também não comprometem, apesar que alguns artistas da CEIA (Djonga) cairiam muito bem em alguma track, mas com Akira, Bk, Ashira Wolf e nILL, acho que Febem já fez um ótimo trabalho.