Salve rapaziada das rede sociais, se tu não tá suave vai resolver seus boró, se tu tá suave, cola com o menino dos ouro e flagra essa review. Tá no título, então você, caro leitor, já sabe qual o trabalho sendo revisado. Vou tratar isso como o leigo que eu era na primeira audição: KK Ousado surgiu e estourou com 1Nojo (gíria que perdura no mundo até hoje), lançou algumas coisas com MAT.jpg e não se manteve no nível de destaque. Geenuino, até onde pude compreender, é o Pai, e é isso.

Com todo esse conhecimento em mente, veio a primeira faixa, que leva o nome do projeto. Um refrão embrasante, porém não viciante, um salve pro Nagalli (que anda mandando muita mágica pra muita gente) em um beat no mínimo interessante. Abre bem o álbum (?), mas nem tanto. Uma boa faixa, mas não implica em nada, não te ambienta para o que está por vir, tu só sabe dos ingredientes básicos: beat de trap, ousadia e paternidade.

Noutra produção conjunta de Nagalli e Ykymani, surge “Destilado”, o beat tem uma vibe de deserto e filmes árabes, no melhor dos sentidos. Lembra a primeira faixa pelas características expostas. Mostra que são talentosos e compreendem o trap, sabem o que estão fazendo, mas nada que salte aos olhos, ou melhor, aos ouvidos.

Jovens, “Negros de Massati” se destaca. Essa música é a primeira que empolga, impressiona e te faz mandar o link pros comparsa no zapzap. Tem ainda um baita verso do supracitado MAT.jpg. Citam o Nagalli, que vem deitando nas 3 primeiras bases. Mesmo com as dificuldades do nome, conseguem citar o Ykymani. Tem um throwback para a Destilado. Um banquete de bons flows, umas boas linhas e um refrãozão gostoso. Parece que o negócio ficou sério.

“ZN/ZS” é mais uma aula de beat, com sintetizador, uma vibe de plenitude e tranquilidade nos céus, que é como se sentem, vivendo entre todas as zonas da cidade. KK discorre sobre diferentes locais, citando onde fez 1Nojo, por exemplo. Geenus usa seu tempo de beat pra desfilar nas nuvens com um flow sagaz, enquanto da shout-outs pras suas áreas. Talvez pra algum paulista o som bata mais forte do que pra mim, mas bom som.

“Mas eu não” é um nome no mínimo sugestivo pra track né, fiquei com medo de ser algo feministo, mas bons trappers não decepcionam. Muitos putos querem fama, mas esses dois não, muitos contam vantagem, mas esses dois também não. De maneira geral, esse som é simplesmente chato. Até chegar a parte de Geenuino, o Pai tava chato de mais nessa meu amigo. É como se ele fosse evoluindo de faixa em faixa, enquanto KK, infelizmente, decai à mesmice.

Depois vem “Tipo Aham”. A faixa começa com uma história de corno, eu acho, alegando que ” você fode com outros manos // e eu tipo: Aham”. Depois o verso fala sobre estar sozinho há tempos, estar sempre dirigindo acompanhado, com uma gata no colo (???), ter flagrante suficiente para um 33 e volta ao refrão alegando ser odiado por todo mundo. Conclui-se que o tipo ‘aham’ é sinônimo para tipo ‘MUITO LOCO MEU PARCERO’. Desta vez foi KK que roubou a track, mas nada perto do alto nível do Pai na anterior.

Sétima e última faixa: “Enjuado”. É claramente inspirada na fórmula de 1Nojo. Até pq nojo e enjoar/enojar é muito relacionado né. A track fala sobre estar devidamente trajado e deixar geral enjuado, não tendo nada igual quando tu passa. O grave bate surrando, as notas de piano dão uma linda melodia, os flows são dignos de Pais Ousados, sonzão.

O projeto – como chamado nas descrições dos vídeos – é de autoafirmação e mostrar o serviço, mas às vezes mais é menos. É visível que sabem escrever e usar boas bases, é notável que o Nagalli ta cheio das magias. Mas, muito soa igual e sem inspiração, sem criatividade. ‘Enjuado’ e ‘Negros de Massati’ poderiam ser lançadas com clipes, sem todo o resto, e o hype em torno da dupla seria maior. Sobrou talento e vontade, faltou assessoria e paciência.

Author: Andre Dourado

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