Coé seus mamãe quando eu crescer eu quero ser um mc?! Diretamente da sala da minha casa, esse aqui é o retorno do cretino ao site. Tamo aqui pra falar dum trampo que é uma epopeia e tal como um filme com o número 3 no final do título, se tu não souber de algumas coisas ai perde uma parte considerável do valor. O Alien Preto tá de volta nos trilhos e passou por um estúdio, onde junto com Papatinho abençoou a nação.

Vou ser mais direto aqui: Se tu não conhece o homem, tu provavelmente vai achar o nome dele zoado. Mas provavelmente tu conhece ele, já que ele foi parte crucial do Planet Hemp durante um tempo. Aquele papo do Don L ser o favorito do seu favorito é meio que mentira, porque provavelmente o seu favorito paga um pauzão pro Gustavo de Nikity. Black Alien, ou como eu recentemente passei a chamar, Van Persie do rap nacional, é um puta letrista e eu vo te guiar pelo álbum dele enquanto faço uma narrativa.

O cara surgiu quando tudo aqui era mato, queimou o mato, ascendeu e por geral foi considerado um Deus. Fez parte de coletivo histórico, teve seus problemas, seguiu seu caminho, foi considerado Deus de novo, caiu no esquecimento, voltou, todo mundo ficou feliz ao ver um grande homem voltando ao sucesso, sumiu de novo, mas agora tá ai. Se tu substituir o Planet Hemp como coletivo histórico e lembrar de certos elencos de certos times de Londres, tamo falando do RVP da MVP.

Eu dei minhas primeiras ouvidas do álbum enquanto criava um save de Champions League no PES 2010 com o Arsenal, motivado pelos tiros que o boneco de posto preferido do mundo sabe dar (não, não é o João Sorrisão). Logo que me toquei quem rimava, percebi que talvez tiro não era lá a melhor palavra pra se usar. Depois de duas edições do BBG (calma, te explico isso no final), o Black Alien largou esse osso e finalmente seguiu seu caminho.

Jogando no Santiago Bernabéu e passando mal na mão do Casillas eu comecei a me atentar no som. O Alienígena Negro abriu seu álbum com “Área 51”, que é esperto considerando que uma galera da nova geração de ouvintes não conhece ele e isso pode chamar a atenção. O som tem o Papatinho regaçando na produção, Black mostrando sua característica de construção de versos técnicos, mostrando a experiência e malemolência pra lidar com a criação de arte. Bonito de mais como ele faz questão de jogar na cara logo de inicio que pó num é mais problema pra ele.

Com 1 derrota, 2 vitórias e 1 empate, começo a passar aperto no segundo turno da fase de grupos e ai voltei a refletir. Black Alien e Van Persie tiveram em seu auge uma legião de fãs dizendo que eles seriam/eram o melhor da história no que faziam. O auge dos dois durou pouco. Ambos tem um baita respeito por ai, um tem um dos álbuns mais clássicos da história do Brasil, outro tem umas temporadas criminosas na Inglaterra. Mas para por ai. Sempre que resolvem algo você consegue ver a grandeza que existe em cada um, mas num há uma constância.

O segundo som é chato e marca o tom do álbum. Beats lindos e calmos, combinam bastante com a capa. Versos bem construídos e um domínio de tempo de beat. Mas sem nada chamativo. Brindando a sobriedade ele cita cocaína pela segunda vez, na segunda track, mostrando que apesar de abandonar o vicio, esse demônio ainda vive na cabeça. Ele da um ataque em quem é consumido pela maconha e que num vai ter pauta alguma pra se comunicar depois de uma possível legalização.

Faixa 3 e a gente já sabe o que tá acontecendo daqui pra frente. A beleza dos beats já vai se perdendo já que a calmaria reina em todos. Ok, 2 wordplays bonitos depois e na entrada do refrão é impossível não emocionar com a produção dessa, puta que pariu como o Papatinho deita em boombaps classudos. De toda forma, o flow tá ficando cansado, o álbum conforta ao te mostrar que um (talvez) ídolo tá bem e conseguindo compor, até bem.

Ele rimou “Sinal” com “Sim, now!”. Estou insultado.

Sabe qual que é a parada? PES 10 em 2019 fica muito difícil, cai nas quartas pro Valencia. O álbum é chato, repetitivo mas necessário. É inteligente, até porque é um dos melhores caras que o Brasil já teve. em 2004 ele lançou o “Babylon By Gus Vol.1 – O Ano do Macaco”. O álbum ta no mínimo no top 5 do rap nacional. Depois disso o homem desandou na droga, saiu, voltou, saiu, voltou, dentro da rehab fez o crowdfunding do Babylon By Gus Vol 2. Não lançou o álbum, refez tudo do zero e saiu um disco aí. Bom? Sem dúvidas! Alguém lembra e/ou ouve mais de 2x o álbum? Não mesmo.

Em 11 anos o cara tinha 2 álbuns solo, lançou um padrão que devia ser seguido: Disco de estreia só você e as bases, deixa os feats pro segundo; O que levaram pra frente foi a ideia de rimas bilíngue, sometimes uma benção, sometimes a pain in the ass. Desde o título de “Abaixo de Zero: Hello Hell” dá pra tu saber o que vai rolar, principalmente vendo a capa e a tracklist. Ele deixou de falar da idealizada babilônia, acessando seu inferno e se mantendo gelado pra não queimar com as merdas que já fez, ficando frio pra lidar bem. Um disco importante pra ele e uma boa resposta do público ia ajudar. Mas é chato e igual de mais pra isso.

Destaque pras bases e pra “Do jeito que tu gosta eu bato forte na xoxota”. Amo você, Black, amo você de coração. Feliz pela tua melhora, todo mundo sabe do potencial, entrando no rumo vem muita coisa muito boa por ai. Da pra ver que a genialidade tá viva dentro do cara ao longo do trampo, da pra ver que é um trabalho de transição, esperança pro futuro. Já pro velho VanP(ersie), a idade não perdoa e amadurecer não é tão bom no futebol, triste que tu nunca vai ganhar uma copa.

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Author: Andre Dourado

Rap Nacional é merda e eu sou o especialista das fezes