E aí seus Matue morto, como vão? ASCENCIO aka Askencio aka Ask Askeroso aka The Real Suck Ass de volta nesse site maravilhoso. Se eu demorei muito pra escrever essa reviu foi porque fiquei todo esse intervalo fazendo nada mais nada menos do que pondo no repeat incessantemente o mais novo trabalho de Yung Buda, “Músicas para Drift Vol II”.

MPD 2 fecha a trilogia do segundo maior nome do coletivo de rap jundiaiense, SoundFoodGang. Buda dropou uma obra prima em seu Volume 1 de mesmo nome, depois tivemos “Haloween o ano todo”, que não bateu tanto em mim, e por fim, para fechar o último 6 da sequência bestial, temos o então projeto que será analisado neste momento.

Buda continua drill? Sim. Continua com as referências já canônicas a animes, jogos e carros? Sim. Então o que mudou de fato? A sonoridade. “Musicas Para Drift Vol 2”, praticamente em sua produção geral, sabe se inovar sem destoar negativamente do seu coletivo (seja da sequência de projetos precedente dos limites que o gênero estabelece, no caso o trap), esse é um problema que muitos artistas que buscam a autenticidade sonora encontram, e acabam caindo como patos.

“Piloto” traz um título inicial de duplo sentido, a palavra serve tanto para a rede semântica de corrida e carros esportivos característicos desta franquia, quanto para o fato de ser a primeira faixa, semelhante ao que vemos em séries, onde geralmente o primeiro episódio leva esse nome. Nesse segundo sentido, os episódios pilotos servem para testar o gosto da audiência, concentrando todas as características principais do projeto, basicamente é isso que o MC faz também. A produção, assinada em todas as faixas pelo próprio rapper, arrisca mais para uma atmosfera eletrônica que casa e muito com o ambiente tecnológico automotivo. Nas letras, um ponto não forte do projeto, teremos um Yong Buda, que arrisco dizer, ser até um pouco mais introspectivo, subjetivo e frio. A belíssima intro, ápice poético, ressalta uma “volta pra casa” que resolveria os problemas pessoais do eu lírico, ou, pelo menos, os amenizaria. Boa faixa, bom início.

“Pleasurekraft” traz samples tech-house cortados do som “Tarantula” do duo de DJs homônimo à faixa. A estética da faixa eletrônica é mantida e muito bem adaptada ao trap com kicks e drums caraterísticos do gênero, aquilo que falamos no início, sobre ser original sem destoar negativamente. Quanto à letra, não temos nada que nos salte aos ouvidos, com exceção da boa linha que compara a sigla da banca, SFG, com as Forças Especiais Ginyu do DBZ (cara como eu achei sagaz essa comparação, pqp).

“California (World Tour)” é a minha preferida. Eu fui criado ouvindo rocks dos anos 80, foi meu primeiro contato com música. Imaginem minha surpresa ao me deparar com as notas de “Losing My Religion” tocadas numa guitarra com sintetizadores junto com um refrão cativante que simplesmente não sai da cabeça. Depois, o sample da música é bem cortado e harmonizado no beat, minha parte preferida são nas viradas de loop, com a guitarrinha mandando o riff característico da banda norte-americana. A letra é simples, um plano de uma world tour, ele é um rockstar, ela uma garota cinéfila cult. É o plano perfeito num encontro perfeito… vamo fazer uma wooooorld toooour!!!

“Suzuki Escudo (Guitarra)” é uma faixa nojenta. Beatzin com aquela levada que te faz morder o beiço, apertar os olhos enquanto pensa “pooooooooorra”, sabe? Então. Buda soube se encontrar em entrega e o flow, num fino resultado, explorando todos os nuances sonoros da marcante produção. Nessa track, temos várias referências a jogos clássicos, a minha preferida é:

Pente infinito igual Metal Slug

Se você não deita vai toma rajada

Pra quem não tá ligado, no Metal Slug algumas armas tinham balas infinitas, e, às vezes, quando o inferno rolava na tela desse maravilhoso arcade da SNK, com tiros vindos de praticamente todos os pontos cardiais, deitar no chão era o mais sábio a ser feito.

“Autumn Ring Mini (Sozinho no Touge)”, que recebeu belo clipe recentemente, é a mais passável. Produção calma, cheia de referências jogadas de gran turismo e alguns outros jogos. Um som médio que não se destaca dos demais, faltando talvez elementos mais característicos/marcantes como vimos até então.

Em “Autobahn (Tempo)” tudo funciona, a produção que flerta com um Industrial Dance te leva junto com o melhor refrão do projeto para uma espécie de êxtase. Trata-se da estética perfeita para o que a mixtape (ou EP) propõe. Como o próprio Young Buda diz “Isso é Músicas pra Drift Volume II”. Toda a faixa parece ter saído de um arcade automobilístico com “carro quadrado de pouco pixel”, sem falar que temos a melhor linha bragga de todos os tempos:

Eu sou gaijin

Mas ‘cês são genin demais

Eu tava vendo hentai

‘Cê apanhando dos seus pais

Yung Buda, num geral, segue moldes mas se prender a estes, “Músicas Para Drift Volume II” chama muito mais a atenção pela sua produção do que pelas letras. É na primeira que temos a inovação e autenticidade mais reafirmada pelo artista, enquanto, na segunda, sobram lugares comuns do gênero e subgênero que o MC se categoriza e, o que desanima um pouco em alguns pontos, mesmices até mesmo para o repertório do próprio artista, mas definitivamente nada que atrapalhe a prazerosa experiência. MPD Vol II não se compara ao seu irmão Vol I, mas é melhor que o segundo trabalho do artista.

Agora, vocês me dão licença que eu vou jogar meu LAMBORGHINI: American Challenge num emulador de Super Nintendo.

Falo.