E aí seus manso, tudo bezelinha? Comigo não tá não. Hoje vamos falar do álbum(?) intitulado  “O Alpinista do Século XXI”, dropado pelo maridão da Azzy esses dias aí. Não vou comentar faixa por faixa porque essa review ficaria tão repetitiva quanto o trabalho do King Ruby. Vai ser um apanhadão pá pum, express. Vem comigo que, pelo menos, vai ser engraçado.

Existe uma coisa chamada Timing, pois é, e o cara passou longe dele. Os problemas pessoais expostos pelo MC num famoso OVERSHARING ou OVER EXPOSURE (hoje eu to muito inglês, que nem o Rubiking rimando “Seeing hollywood nights, and its not a dream”) em suas redes sociais, para, pouquíssimo tempo depois, lançar seu álbum, fez com que este trabalho perdesse muito de sua credibilidade (love song, sério?). Soltar esse trampo momentos depois de uma polêmica negativa e desnecessária, sei lá, acho que o Choice, como diria minha vó, está “caçando chifre na cabeça de cavalo”.

Passando para os aspectos técnicos do trabalho, eu classifico “O Alpinista do Século XXI” como uma esquizofrenia-corny-de-referências-sem-sentido-com-autotune-e-voz-forçada. O álbum não possui uma estrutura, não há uma linha de raciocínio, não há raciocínio, as faixas acontecem sem propósito algum. Imagina você viver numa tortura infinita (tipo o Tsukuyomi do Itachi) escutando um Perfil Painépou eterno do Choice com produções type beat de youtube, essa é a sensação. Não há gradação ou mudanças relevantes, parecido com as cores da capa, temos um álbum preto e branco: cor sim, cor não (igual o Tsukuyomi do Itachi).

O MC do Tank, graças à sua ausência completa de senso do ridículo, relaciona referências da forma mais nonsense e aleatória já vista desde “Um Filme com Nicolas Cage (cof cof)”.

Alright, tipo Dana White

Ela só quer mais, tipo all night

Se acostuma, é o Akuma

Street Fighter faz que você suma (Street Fighter)

Inimigos tipo debilóides

Eu naturalmente sou o dab lord (Dab)

Black Sabbath, “Paranoid” (“Paranoid”)

Paranoia igual Platão e Freud

A performance do rapper é tão assustadora quando suas temáticas. Um caminhão de rimas pobres e juvenis, que o Joyce pensa serem multissilábicas sagazes (ele chega a dizer que mastiga o dicionário, aham). Verbo com verbo rolando a rodo, com direito a particípio comendo solto, uma impostação de voz forçada e cansativa pra caralho, onde ele tenta, oralizando ao máximo e abrindo vogais mais do que o necessário, fingir que sabe preencher sua voz e tem cadência, mas na real, o que se tem mesmo são adlibs enjoativos/repetitivos e cornys do mano se esgoelando em autotune . Não Djoice, não é assim. Pra completar o espetáculo, ele ainda atropela o beat aqui e ali.

O ponto alto do projeto é o verso do Djonga, que até chega a quebrar um galho, ou melhor, um galho não, A GALHADA TODA, de tão foda que é. Mas para isso, obviamente que o MC mineiro é obrigado a fugir completamente do proposto pelo carioca numa das faixas mais bregas do álbum, e dar uma aula de como se passar um papo de visão, coisa que o MC dono da track não fez nem nesta, nem no resto do cd.

Pra terminar, o MC do Morro do Atalaia é a prova de que só ser cria, só ter vivência, infelizmente, não é o suficiente pra se fazer rap bom. Nós, enquanto público de rap, precisamos, desesperadamente, de mais criticidade na hora de consumirmos o conteúdo, porque, se não, perpetuaremos cada vez mais trabalhos abaixo do medíocre, como é o caso d’O Alpinista do Século XXI. Uma coisa é certa, quem disse pro Choice que esse álbum é bom tá colocando coisa na cabeça dele.

flw

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