Por Vinar e Dourado

Se tu ouve rap há um tempo, com certeza já se deparou com a expressão “renegade”, pra falar daqueles casos onde os rappers convidados num feat simplesmente roubam a faixa pra si. Esse termo começou a ser usado depois que Jay-Z lançou a faixa de mesmo nome com o feat do Eminem, e bem, quotando Nas “Eminem murdered you on your own shit”. A faixa era originalmente do Royce da 5’9”, colaborador frequente de Eminem, que, ao não utilizar a faixa, passou pro Em para que ele fizesse o que queria com ela, e assim ela acabou no The Blueprint.

Por mais que o Nas tenha zoado Jay sobre a faixa, o próprio tem um caso de renegade tomado, esse que precede até a origem do termo é “Life’s a Bitch” do Illmatic, seu clássico disco de estreia. A faixa conta com o feat de AZ, e seu verso é tão bom que muitos consideram um dos melhores de todos os tempos, ainda que a carreira de AZ nunca tenha estourado e seus versos mais famosos estarem em tracks do Nas.

Um caso mais recente rolou em “Control”, do Big Sean, quando Kendrick Lamar tacou fogo no jogo desafiando os melhores MC’s da atualidade, o que muitos entenderam como diss, na verdade, foi só o nosso Kerido “se divertindo”, nas palavras do próprio. A track não foi lançada oficialmente, segundo Sean por “questões de sample” (rs), mas uma boa alma vazou esse som e ajudou nesse capítulo da história do rap.

Já nas terras tupiniquins, um bom feat se constrói sem humildade. É uma falta de respeito engolir o dono do som, principalmente quando ele é o maestro canão. Black Alien em 2000 botou Sabotage no bolso na música mais famosa da nossa lenda finada. Infelizmente a versão mais famosa da música é a solo, por conta do clipe. O alienígena preto mostra o motivo de ter esse nome: desempenho fora do normal em todos os aspectos possíveis. O homem literalmente brinca com flow, métrica e isso tudo enquanto despeja ideia pra caralho.

No entanto, o primeiro caso que vem pra mente da geração mais nova sobre este tópico é “Espírito Vândalo”. Na verdade, nem tanta gente conhece esse som, mas todo mundo lembra claramente de Diomedes falando que “Ret arrotou e Don L matou”, para estes, segue a explicação: Funkero reuniu Ret e SeuXapa no mesmo som. Ret entrou com sua estileira swingada e autoafirmativa, falando de mina, de fazer dinheiro, respeito na quebrada e como sempre abusando de contrapontos nos versos. Don L entra logo após o neurótico de guerra e uma quebra de beat. Com criticas sociais voando e desfilando pelo compasso do beat, fala sobre os que fumam um, se tornam revolucionários e alegam comer todo mundo. Além de parecer um salve no Vivaz, ele ainda manda um “Funkero sangue bom, rima viva” e ignora a presença do audaz do ktt. Fora a diversão das alfinetadas, é um puta verso na questão sonora.

Mas fala pra gente, seus renegados, quais as tracks que faltaram aqui? Fica ligado nas redes sociais pra mais conteúdo do site mais fecal do rap!