Salve, seus veteranxs da USP que gozam do privilégio pra tentar dar carteirada! Depois que a poeira abaixou e não fui processado voltei a fazer review, dessa vez com mais um favorito das críticas, só que esse é bom. Carlin vulgo Nego Gallo é uma lenda viva que – por motivos de eixo – não tem o devido reconhecimento. Mas isso não impede ele de fazer história.

A primeira música do álbum “Veterano” é um interlúdio. O que é interessante visto que a parte ‘inter’ da palavra perde um pouco de sentido. Com uma vibe de abertura de filme caribenho, em que os cubanos combatem os big boys do U.S.A, a música trata de algo parecido, sugerindo que tu venha em chamas, com o tênis calçado e rosto limpo, pronto pra guerra.

Mantendo essa de ser real e vir em chamas, a faixa 2 é a que te deixa on fire. Relembrando o que botou ambos no mapa, Nego Gallo e SeuXapa Don L se unem num beat lindo e falam da vida crua em fortal. Don L infelizmente faltou com a educação, chegou no CD do amiguinho e matou a track com um storytelling lindo, do mesmo que ele matou o Emicida uns anos atrás. O mais intrigante é que a colaboração de ambos no RPA é totalmente destoante dessa, com a única coisa comum sendo a qualidade.

Pra quem acha que OG’s não se balançam, fica o desafio na faixa 3. O Bagui Virou tem o que mais cativou em S.C.A: Um mano batalhador celebrando o seu sucesso e mostrando que é um rimador nato; Eu duvido alguém conseguir detestar uma coisa linda dessas. Essa já tem clipe e tem um bom refrão, que infelizmente não me identifico ainda, mas algum dia o Vinar vai pagar o que deve pra mim. O refrão pegaria mais se o beat tivesse mais vida, as camadas de instrumental estão baixas e pouco explosivas, mas a qualidade da ideia tá lá.

Ao ouvir 2 faixas desse homem você já sabe que o bagui ia virar, é quase óbvio. Outra coisa óbvia é que “Onde há fogo há fumaça”. Com esse título, a faixa 3 é swingada mas com uma certa tensão, desde o beat, até o flow e o conteúdo. Carlin é veterano na vida das áreas e da música, como ilustrado ao falar de onde mora, tal como citando que nem faz ideia de onde o som dele chegou. A transição dessa para a próxima é absurda de bonita.

Outra faixa com vídeo, um lyric dessa vez. Essa aqui foi single e provavelmente tu já ouviu. Provavelmente tu ouviu o álbum todo mas tá lendo review de todo jeito, então vou discorrer. Lembra da swingueira que tinha na track passada? Então, agora o negocio foi pra frente mesmo. Down Town é quase um reggae. Carlin te faz sentir em 4town, num boteco de viela trocando uma ideia com o nosso veterano preferido. Não tem muito o que dizer além de: O bicho é bom no que faz.

Logo em seguida vem uma obra linda. “Dois Cofres Uma Porta” é uma espécie de love song. O diferencial é que o cara conhecido de Costa a Costa sabe fazer isso com inspiração de mais. O refrão contagia e se mantém dúbio com a sagacidade de composição. Narra uma história de um caso que não foi tão bem, mas que, provou que os cofres de sentimentos tem portas e todas as possibilidades derradeiras disso. Prova ainda que pra quem mora perto da praia é mais fácil esquecer #dela.

É difícil falar sobre a situação, por ser veterano tudo que ele diz é bem dito e bem feito. Mas não tem algo que choque ao longo da primeira metade. DVD interlúdio é um diálogo que paga respeito às origens do homem. O choque veio, ninguém esperava Gallo rimando num beat funkeado. Pena ele rimar beck, rec, track. Mas o som é lindo e inspira sobre a caminhada e sobre os inimigo: manda peitar mas boa sorte.

Imediatamente vem o próximo feat do álbum, segurando a barra de rimar com a lenda vem Coro MC. Passado Presente fala sobre o sangue derramado no passado e como isso impacta o presente e como eles lidam com tudo e pavimentam o futuro. Nas entrelinhas ainda bradam que o que estiver errado não passa do presente.

Também com um interlúdio pra abrir, como DVD, vem a última track, que também traz feats. O interlúdio mantém o universo estabelecido pelo álbum tudo através da música de fundo, e mantém a seriedade através da fala direta de Gallo. Com participações de MC Mah, Daganja e Galf AC, chega a agitadíssima: Acima de nós só o justo. Andando certo na linha por muitos vista como errada, chegam ao topo e só ficam abaixo do justo. Inspiradora e provavelmente a melhor música para o ao vivo do álbum.

Ultimamente tudo tem soado bem parecido no rap, como denunciado pelo ursinho carinhoso da jackância em uma track. Esse álbum é destoante, afinal, o cara é veterano e sempre foi um monstro de tão bom. Acima de tudo o trampo carrega veracidade no que é dito, não se prende aos sons sem inspiração mesmo quando lida com assuntos semelhantes. É cheio da vibe de reggae e te faz de fato sentir como se estivesse em Fortaleza.

Author: Andre Dourado

Rap Nacional é merda e eu sou o especialista das fezes