Everything’s for Sale, como vocês puderam perceber meus queridos, é o novo trabalho do rapper norte americano Boogie, MC este que faz parte da gravadora do Eminem. Sendo um cara extremamente fofo e simpático, ele angariou buzz ao seu nome, fazendo com que os blogs/sites de rap passassem a nutrir uma expectativa enorme nele. Sendo Everything’s for Sale seu debut, e possuindo como participações o próprio Eminem, 6lack e J.I.D, temos nesse projeto um avalanche de ressentimentos e medos.

Esse disco possui 13 tracks, 13 faixas que têm como núcleo o introspectivismo familiar. Boogie é ressentido por várias coisas aqui, por ter nascido pobre, por estar vivendo numa sociedade violenta com relação a negros e, principalmente, por não conseguir superar a separação com sua ex. Aliás, acho que o fato dele ter tretado com a ex foi um dos principais percussores da criação conceitual desse disco, porque ele tá muito irritado e triste. Quando for escutar esse disco, você irá ouvir um skit de briga entre um casal, e vai entender do que to falando.

J.I.D e 6lack caem muito bem na perspectiva conceitual que o álbum se propõe, menos o Eminem. Aqui, o chefe de Boogie não consegue se “enturmar” ou se encaixar na proposta. É ele, de novo, dizendo que ainda é relevante em um beat de trap que ele sofre a se encaixar. É terrível.  E antes que eu me esqueça, o nome da track é Rainy Days, então, estejam preparados.

Acho que o ponto alto do disco foca muito nas faixas Skydive, Lolshm, Soho (feat J.I.D), Silent Ride e Whose Fault (feat. Christian Scott), porque aqui há uma vulnerabilidade agressiva, se é que vocês me entendem. Ele se mostra aberto à dor, à tristeza, mas não de forma passiva, falando umas coisas duras tanto para consigo, quanto para quem tá ao seu redor. A faixa mais fraca, e que poderia ser retirada, é Self Destruction, o refrão parece que foi feito a trancos e barrancos e os versos são bastante esquecíveis.

O ponto positivo desse projeto é que ele é direto, não há enrolação. O ponto negativo é que não há nada de novo ou surpreendente. Everything’s for Sale não consegue se sustentar em algo mais ambicioso, é um disco que ao meu ver não é muito forte, não consegue sair do seu conforto, o que é demérito, devido ao status do criador. No entanto, é gostoso de ouvir, não possui destaques ou fôlego, mas é escrito por um mc que sabe rimar. O ressentimento come solto e o medo também, é o Boogie mostrando que não é covarde ao seus sentimentos. Escute se você quiser, eu aprovo.