E aeeeeeeeee seus amigão do Drake, tudo bão? Sim, vocês não estão vendo errado, é outra review minha no mesmo mês. Pra (in)felicidade de vocês, hoje lhes trago ele, o rei da Filadélfia, o garoto que persegue sonhos, o MC que encomendou o caixão do boyzinho de Toronto para que o Pusha colocasse o último prego ano passado, ninguém mais ninguém menos que Meek Mill, com seu quarto álbum de estúdio “Championships”.

Eu não vejo futebol americano, mas parece que os Eagles (time da Filadélfia) levaram em 2017 o título do Super Bowl. Meek ostenta muito sua quebrada, eu gosto disso nele, portanto, o álbum busca essa temática vitoriosa, passando por dilemas, visões de mundo, dificuldades, tudo tendo como base suas experiências de vida. É válido ressaltar que essa vitória não se faz apenas no campo de futebol, mas também na vida pessoal do MC, que antes estava atrás das barras, e agora está, finalmente, vivendo sua PJL. Sem mais enrolação, vamos à review.

Na intro da faixa “Intro” (uma metaintro), enquanto tá rolando um Phill Collins brabíssimo, Meek deixa claro o que eu disse no parágrafo anterior, e, logo em seguida, faz o que sabe fazer melhor, dropar barras cheias de street knowledge e ostentação, com seu flow agressivo e constante, como de costume.

Eu gosto de “Trauma”, segunda faixa, a ideia central é demonstrar como as mais diversas manifestações de violência nas periferias norte-americanas traumatizam os que vivem nela, colocando-os uns contra os outros, em um ciclo de terror. Destaco aqui uma linha forte que, quando eu ouvi, ficou ecoando na minha mente:

Watching a black woman take my freedom

Almost made me hate my people

Temos alguns braggas passáveis e genéricos pra cacete em “Uptown Vibes (feat Fabolous e Anuel AA)”, que até é animadinha, com sua vibe espanhola descaradamente gratuita, e em “On me (feat Cardi B)”, pra depois chegarmos no que já é um dos (pouquíssimos) pontos altos do trabalho: o fuckin verso do Hova em “Whats Free? (feat JAY-Z e Rick Ross)”. Como começamos a notar, são recorrentes as reflexões sobre sua recente prisão e consequentemente seu processo à liberdade, e é ao redor desta palavra que o som se desenvolve.  A faixa usa o conceito e o sample de “Whats Beef?” do BIG e a produção atualiza bem a estética sonora para o trap. Voltando pro Jay, ele engole Rick Ross e o dono da faixa de maneira categórica, Meek até tenta colocar algumas rimas internas em seu verso, mas não dá não. Sério, tem tudo nesse verso do Hov’, wordplay, multissilábicas, variação de flow, entrega concisa,  referências diretas ao verso lendário do Big Poppa (ha-ha-ha) e por aí vai.

Eu comecei a ficar puto escutando “Respect The Game”. Até então, estava deixando passar as reciclagens e toda a atmosfera mediana por parte do Meek que se formava, mas quando eu ouço o sample de “Dead Presidents” totalmente de graça (só o meu querido Young Sinatra pode fazer isso), tive a certeza de que era falta de vergonha na cara da produção executiva do álbum.  Dessa vez não tem o Jay Z pra salvar, e a faixa só fica preguiçosa mesmo.

A queda livre continua em “Splash Warning (feat Future, Young Thug e Roddy Ricch)”, um ooh-ooh trap medíocrizão ooh-ooh, cheio de senso comum ooh-ooh, com uma galerinha “who cares?” e o Young Thug ooh-ooh. A produção é qualquer coisa de chata com tanto “ooh-ooh”. Seguindo em frente, eu partilho da opinião de que se existe uma faixa homônima ao título do álbum, ela tem que se destacar por obrigação, e isso não acontece com “Championship”. O sample até tenta estabelecer uma atmosfera animada e vitoriosa, mas não rola não, Meek nos entrega mais do mesmo papo de superação.  “Going Bad (feat Drake)” é aquela faixa pra reatar a amizade com seu amigão de longa data.

O 20 cantou a bola no grupo da equipe e eu concordei, “Almost Slipped” é a faixa que mais se destaca do restante do projeto. A produção, em rara ocasião, respira novos ares com The Trillionaires e Maaly Raw, neste love song temos uma guitarra sagaz mesclando-se à batida do trap, é interessante e te pega numa fase que você ainda não desistiu afogado nas mesmices do álbum. A entrega do MC também é boa, o flow e o tom de voz mudam para ajustar com a vibe, e você se encontra pensando na sua cremosa e nos dilemas amorosos que envolvem sua relação.

Com exceções dos pontos positivos (mas nem tanto) “24/7 (feat Ella Mai)”, de produção mais R&B que salva minimamente (a faixa também é reciclada, dessa vez de Beyoncé), e que deveria estar junto de “Almost Slipped” por partilhar de semelhanças temáticas (um erro de estruturação), e “Oodles O’ Noodles Babies”, uma proposta saudosista/nostálgica diferente, desde a produção passadista e os flashsbacks das dificuldades vividas por Meek em sua infância/adolescência; com exceções destas faixas, o restante, só vai… sério. É mesmice atrás de mesmice, produções e rimas mais do mesmo. Você já tá de saco cheio quando chega “Dangerous (feat Jeremih e PnB Rock)”, que até poderia ser uma faixa interessante, mas tu só quer acabar logo. Talvez, fora da ordem do álbum, ela funcione.

Veredito final, “Championships” tem um início ok, até que daora, aí começa a reciclar na cara dura mesmo, tentando dar uma substância relevante que possa preencher a falta de renovação do MC, além de se repetir tanto em performance quanto em produção. Os pequenos momentos criativos surgem e se vão rapidamente, deixando você perdido num monte de trap genérico. Talvez as faixas funcionem soltas, no alto-falante do seu corsa num domingo à tarde, mas não juntas nesse álbum de quase 20 faixas, o resultado final não é, nem de perto, dos melhores.

Curtiu a review? Concorda? Discorda? Dropa nos comentários, po.

Falou, peace.

One Reply to “Review: “Championships” por Meek Mill”

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