Fala aí, seus “agora o Rap Sh!t foi longe demais”! Cacique no recinto, e hoje vamos falar sobre o álbum do 21 Savage: “i am > i was”. Esse que foi o primeiro álbum dele que escutei por completo, antes disso apenas conhecia algumas tracks e o que me levou pra ouvir esse projeto e trazer a review foram as últimas participações do rapper, principalmente no álbum “NOT ALL HEROES WEAR CAPES” de seu colaborador frequente, Metro Boomin. No mais, vamos pra análise.

O álbum começa surpreendentemente bem, com “a lot”, algo bem incomum da linha do 21 Savage, um boom bapzão com sample foda produzido pelo DJ Dahi, e o rapper de Atlanta soube encaixar bem, apesar de ser ofuscado pelo J.Cole na track. Mas, logo nas faixas seguintes, o projeto fez questão de me trazer de volta à realidade. Não que as tracks fossem necessariamente ruins, por exemplo “out for the night” me agradou muito, mas são faixas tão previsíveis, tão “mais do mesmo”, se comparada a primeira, que desanima. Ainda mais com “a&t” e seu refrão manjadíssimo e preguiçoso.

E o álbum segue assim: Com faixas boas, seguindo a linha que ele já vem fazendo há algum tempo, com beats hard-hittin e linhas agressivas sobre gangbanging – como em “gun smoke” e “1.5” – e faixas onde ele peca por insistir demais em coisas que deram certo anteriormente, como por exemplo a track com Post Malone, “all my friends”, que claramente é uma tentativa de “rockstar”, só que numa vibe mais melodramática, chorando a perda de amigos… Falhou. Em seguida, temos “can’t leave without” e “asmr”, a primeira é muito boa e traz o melhor verso do 21 no álbum disparado, além de Gunna & Lil Baby que costumam não falhar. Entretanto, a segunda cai no que disse anteriormente, Savage viu que o rap asmr deu muito certo em “Don’t Come Out The House”, um dos seus sons no álbum do Metro Boomin, e resolveu repetir nessa faixa… só que, no refrão, bem… o resultado é meio tosco, algo sussurrado e alto ao mesmo tempo.

Aí, entramos numa sequência consistente do álbum, onde, coincidentemente, o pequeno 11+10 começa a ser mais introspectivo, seja relembrando o tempo antes da fama na unidimensional e passável “pad lock”, ou abrindo seu coração em “ball w/o you”, que pode até soar um pouco corny, mas é impossível não senti a dor deste homem, ou, ainda, numa bela carta para sua mãe em “letter 2 my momma”, onde ele homenageia a mulher que o pôs no mundo, agradecendo tudo que ela fez por ele. Em “good day”, única faixa sem nenhum verso do Savage – ele só faz o refrão interpolando o refrão clássico do Ice Cube – temos dois versos muito bons de ScHoolboy Q e Project Patt, falando sobre as vivências nas gangues. Enquanto em “monster”, Childish mothafuckin Gambino abençoou o beat (um dos melhores de todo o álbum, digassi de passage) com um verso foda, Savage não ficou tão atrás no seu verso. Fechamos o álbum com “4L”, uma ótima escolha pra encerrar o trampo, um brag em homenagem à gangue, num dos melhores beats do trampo, assinado por 

Após múltiplos plays, a maior decepção é a performance do próprio rapper, que tinha soltado uns versos fodas no álbum do Metro Boomin e em outros feats, isso tudo tinha me deixado bem ansioso para o CD. Mas, não foi bem o que recebi, como podem ter notado no texto, os versos que dei destaque, em grande parte, são os feats. “I am > I was” parece mais uma montanha russa infantil, tem altos, baixos, pode até ter um loop e te deixar de ponta a cabeça, mas, no geral, não empolga.