A verdade precisa ser dita e hoje o site dos cocôzinhos vai falar sobre a merda que mais teve atenção em 2018. Bom dia pra quem é de bom dia, boa noite pra quem é de boa noite, um foda-se pra quem acha esse album bom. Conhecido popularmente como Esú – Parte 2, a edição sem religiosidade, o álbum bebe diretamente do projeto anterior, que infelizmente passou por um filtro e deixou as melhores partes na peneira.

Mais um trabalho mediano tido como melhor do ano, mais um trabalho raso visto como cheio de camadas, assim se configura “Bluesman”, segundo album de Baco. Grande parte do público imaginava que a evolução e amadurecimento de Diogo seria posto em evidência com um álbum lançado com 1 ano de intervalo. Sábio artista como é, Baco avisou na prévia do disco que “Bluesman” é ser o que não esperavam de você. Esperavam um bom disco.

Ouvindo pela primeira vez, a faixa-título não fode, tampouco sai de cima. É impossível saber se o whitest black man ever reencontrou sua caneta por essa. Com uma boa linha sobre apropriação cultural e desvalorização do que vem dos negros, a abertura do CD pode te deixar ansioso para o que está por vir. Erro seu. Na batida de Portugal (irônico, não?) o sample de blues é sobreposto por uma batida sem inspiração tirada de 2012, talvez uma crítica ao colonialismo? Nunca saberemos. Mas o beat tem uma virada linda. Ponto alto da música: “O mundo é lento ou que sou IMPERATIVO?”; A letra tá certa, mas ninguém avisou o homem pra regravar quando errou a palavra.

Logo em seguida, o barraco desabou e foi de uma vez só. Notou que o beat não tinha inspiração? Então, o Exu do Blues tinha inspiração e levou elas muito a sério. “Blvesman” tem uma “inspiração” fortíssima de “Wi-Fi” do muito mais talentoso niLL. “Queima a minha pele” com refrão de Tim Bernardes tem uma “inspiração” gritante do refrão de “Juvia” de Rodrigo Zin. A música remete no principal ponto do último trabalho completo do líder da facção não tão carinhosa, que é: A melhor parte é a que ele menos aparece. O piano tenta fazer a faixa épica, o refrão tenta criar contradição, os versos tentam e sucedem em te irritar por serem tão mesquinhos.

Indiscutivelmente, o trabalho é cheio de surpresas, com o título da terceira música já é possível bradar um sonoro “Tá de sacanagem com a minha cara?”. “Me desculpa Jay-Z” foi o que rendeu a modernização do rap nacional. Graças à faixa, Baco entrou no mundo das fake news com a direct message vindo diretamente da Beyoncé. Trata sobre inseguranças, tem a bela voz de 1LUM3 cantando e. literalmente, abusa de contrapor ideias. Com um público alvo de adolescente branco, faz o trabalho proposto. Achamos a “Te Amo Desgraça” do novo Esú.

Lenga-lenga sem fim é uma ótima forma de se referir ao trabalho. A real é que ele não tem moral pra dizer o que diz,  mas, “Minotauro de Borges” é bem escrita e a swingada. Ah… Depois de 1 minuto e meio de música, o beat vira e um fenômeno comum é o sangramento pelo ouvido causado pelos gritos mal rasgados. Dica: “Você me mata ou eu me mato primeiro?” lembra a linha da faixa 3, “Entre tirar sua roupa e tirar minha vida” e num intervalo de menos de 4 minutos o herói da juventude clara já mostra sua faceta abusiva.

Rap com instrumentos de sopro e uma vibe caribenha é um conceito impossível de não amar. Recorda a boa fase do artista, com o EP Oldmonkey. Se tiver uma versão só do instrumental no youtube, vale mais a pena do que essa palhaçada aqui. Kanye sempre correu contra a maré, foi criticado e com seu talento conseguiu se firmar. Baco sempre foi carregado pela maré, idolatrado e com sua limitação conseguiu subir (????). Uma eterna baboseira, com um refrão que deveria ser gostoso, mas erra a pronúncia do ‘homenageado‘ da track. Tem o melhor verso do álbum quando trata sobre Jesus e a visão eurocêntrica. Tem o pior delivery do álbum no dito verso superando a desafinada horrenda de “Desgraça do ano”.

A confusão tá montada: Já tivemos a versão 2018 de Te amo desgraça, já tivemos um lembrete da boa época de Baco, já abandonamos o conceito de bluesman por completo. O que nos aguarda na faixa 6, Flamingos? Se na quinta música ele nos lembrou da época de ouro, na faixa 6 ele nos lembra da fase teen e corny dele, que dura 2 anos e está no seu auge. Tuyo canta bem, o beat é bom mas o que faz sofrer é a composição tosca e não as memórias dela. “Entro em você mais do que já entrei em bares” é provavelmente a linha mais vergonha alheia desde o surgimento da Gang Leen.

Focado no público que rende dinheiro de verdade, que enriqueceu o DamassaClan e agora com seus 16 anos são emocionados com a cultura marginal -Salve Delatorvi-, Baco não perde tempo e vem com a TERCEIRA “Te amo desgraça” do mesmo álbum, “Girassóis de Van Gogh”. E olha que ele mesmo reclama que tudo soa igual no rap, hein?! Deve ser doloroso pra alguém com 22 anos cantar letras tão adolescentes, mas ele que lide com todos pesos na consciência que possa ter. Apesar de no geral todas as faixas terem nada de mais, exceto uns plágios aí, o trabalho não empolgava nem comprometia. Finalmente, veio a música digna de se chamar de ruim e empolgar tilelês para cantar na UF.

Fatalmente teríamos uma faixa para bate-cabeça, afinal, existem tilelês que faziam parte do emo/hardcore. “Preto e Prata” veio lembrando o estilo underground que ele adotava, pela enésima vez fala sobre cocaína e cita a facção carinhosa. Falando em lembrar, essa aqui lembra o (bom) verso dele em “Intro” do Derek. O refrão e abertura empolgam e a cada segundo a faixa decepciona. Tal como o álbum numa visão geral: Tem um conceito interessante que é mal utilizado, e a cada 30 segundos ele te dá palinhas de como poderia ter sido melhor.

A transição da faixa 7 para a última track do disco é LINDA. Parabéns aos envolvidos, que tenho certeza que Baco não é um deles. A produção dessa é inspirada, cria toda uma atmosfera. Baco fala que domina o campo igual Cristiano, e eu fico muito grato por essa linha, já que a alfinetada já tá feita. “BB King” amarra o álbum, tem uma vibe de hino para o sucesso de quem cola com ele. Dois adendos importantes: Cobrar que a concorrência junta palavras e acham que já estão rimando enquanto a “concorrência” tem Djonga e BK e você não faz rimas internas é burrice; Ele passa metade da música fora da base.

Sete sete sete vezes foi quanto Jesus sugeriu perdoar? Algo do tipo, eu tenho certeza. Sinceramente, perdoar Diogo por fazer trabalhos medíocres e se esconder com uma ideologia racial barata e rasa já passou dos limites. Perdoar Diogo por tantos erros que tem nas costas é difícil. Se você não gosta de rap, mas quer se sentir menos deslocado na quadra do condomínio com os alemães que gostam: O ALBUM PERFEITO. Se não for o caso, cuidado ao ouvir, pois a preguiça e falta de carinho com o trabalho é evidente, tanto quanto a tentativa desesperada de fazer outro hit, copiando a formula de seu maior sucesso TRÊS vezes num álbum de 8 faixas. O que Bonde Da Stronda fez em “Você é um Vicío”, há 10 anos, parece cada vez mais inalcançável para Baco.

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Author: Andre Dourado

Rap Nacional é merda e eu sou o especialista das fezes

2 Replies to “Review Nacional: “Bluesman” por Baco Exu do Blues

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