Fala aí, seus escuta meu disco! O homem batizado Fabrício, conhecido por FBC e com endereço eletrônico de FBCTaDoido lançou um álbum que concorre entre os melhores do ano. E assim como a arroba do mineiro, o disco tá doido de mais. Ele que era visto como um dos melhores da cena underground há anos, por singles e voar nos versos dos sons da DV Tribo.
Deus Vivo que é, entendeu o conceito de álbum e no primeiro som fez um cartão de visita, para o artista, para o trabalho. Em “Frank e Tikão” fica notável o que vai rechear seus ouvidos nos 32 minutos seguintes: Uma sequência de faixas com a digna vivência de quebra, repleto de técnica e rimas das mais brabas, banhadas nas características do novo marketeiro da cena; tudo isso em contraponto com um trap que não veste toda a roupagem do subgênero, fazendo com que alguns se recusem a chamar de trap.
A segunda track é “Não Duvide”, com participação de Lord, é o exemplo perfeito do que você vai encontrar em “S.C.A”. A simplicidade, técnica, capacidade de identificação e técnica que fizeram o artista crescer são expostos logo no refrão, com a quebra de expectativas de “Acredite, não duvide da minha fé”. O beat é ornado de synths a lá Dr. Dre no auge, e retrata um ambiente tão gangueiro e positivo quanto suas memórias jogando GTA San Andreas ouvindo N.W.A. Ambos rappers exaltam a vitória alcançada através do rap e pavimentada pela fé e persitência, inspirador no mínimo.
A falha principal da faixa 2 é no conceito de ser um trap. Numa linguagem xula: trap é som de festa. Em uma festa , que não religiosa e de família, o refrão de “Não Duvide” soaria fora de lugar. Em uma festa religiosa e de família, os versos não seriam lá muito aceitos. Mas, em termos de faixa viciantes e que ao vivo devem ser altamente enérgicos, temos a faixa 4 e 5.
Na terceira música contamos com “Rap Acústico”, um interlúdio que fica na tênue linha entre forçado e genial. “17 Anos”, segue o conceito de Chief Keef mas numa abordagem diferente. Os versos nessa são criticas sociais foda que motivam todos os ‘vagabundos’ a desejarem ter 17 anos e um 38. Estes, juntamente com a forma sincera que a voz de FBC constrói as imagens do que é dito em sua cabeça e brinca com isso, são o que explicam o porquê de chamarem de disco do ano.
Em seguida “Superstar”, dançante, memorável e por vezes cômica. Seja na voz ou na sutileza da escolha de palavras, a ostentação de um tênis não deixa de relatar as confusões do bairro dele. Propõe também, em seus versos finais, reflexão a respeito de quem continua imerso na dificuldade e violência mas tenta ostentar. Numa sequência de DV Tribo, a faixa 6 “Ela é green” conta com feat de Hot e participação de Doug Now. Transbordando autotune a faixa é mais uma musica de amor que faz o paralelo entre uma Maria Joana e uma Marijuana. “Itinerário de I.o” é um interlúdio emocionante com Gustavin, o Djongador Nato, relembrando a caminhada e amizade deles, enquanto Fabrício cita nomes de pessoas que participaram da caminhada. O discurso de Djonga é a validação do citado em “Não Duvide”.
Logo após, vem um boombap cheio de classe que era esperado, afinal, todo mundo quer ver o craque jogando em casa. Mais uma vez, retratando a criminalidade que o cerca, expondo-as em contraste com o lazer e esperança. Fabrício quer fazer dinheiro pelo poder embutido nisso. Cheio de malícia, com recortes e scratches de DJ Cost, essas são as “Contradições”.
A penúltima faixa é o bate-cabeça do disco. Faixa título: Sexo, Cocaína e Assassinatos; foi feita na intenção de quebrar casas de show ao redor do mapa. A rotina das ruas -que estão cheias de safados- é errada, violenta e empolgante. A faixa é técnica, violenta e empolgante. É o trap mais trap do disco. Assim como “Sexo, Drogas e Rock and Roll” se tornou o lema do Rock, a faixa poderia se tornar um hino e a ode do trap no Brasil, caso tivesse sido lançada um tempo atrás. “Poder Pt.2” retoma a vibe de seu finado grupo de deuses vivos. Poder, a primeira, foi uma faixa marcante por abordar as diversas faces e formas do poder, sempre exaltando como agiam de maneira vista como “errada”, apesar de seguirem pelo caminho certo. A parte 2 brinca com a ideia do arco-íris e o suposto ouro no fim dele.
O disco foi aclamado por vários, o que surpreende visto a posição em meio ao hype que FBC ocupava antes do lançamento. O que chamou a atenção de vários foi a forma que ele divulgou, exalando a simplicidade que sempre o caracterizou e levantando questionamentos sobre como a pessoa por trás muda a aceitação de tal método. O que difere, no meu ponto de vista, é a caminhada por trás e a qualidade do trabalho. S.C.A carrega um conceito, é coeso e enxuto. Com 2 interlúdios totaliza 8 músicas, que é o adequado para a época em que vivemos.

Author: Andre Dourado

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