Coé Julião ? Vamo falar aí do CD do Metro Boomin, tô sem saco pra intro, só vamo.
Bom, dando o play num álbum de um produtor, que aliás, é tido como um dos melhores do jogo, já era de se esperar uma produção boa e é o que de fato acontece, mas se engana quem acha que é o destaque do álbum. O destaque real é a perfomance de todos os rappers envolvidos, e são todos mesmo, sem exceção. Aí cê pensa: “Ah, meu excelentissimo Cacique, aí cê tá desmerecendo todo o trabalho do Metro Boomin” Errado, meu pequeno curumim, aí é que se encontra o mérito do Metro nesse projeto: Deixar todos esses artistas com diferentes estilos confortáveis pra trazer o seu melhor.
Sem contar que os beats muitas das vezes conversam uns com os outros em transições lindas que dão a sensação de unidade pra um projeto, que por ser uma coletânea de vários artistas seria algo bem dificil de se imaginar. Transições como de “10 AM/Save The World” com o Gucci Mane pra “Overdue” com o Travis Scott, e da última pra “Don’t Come Out the House” com o 21 Savage, que já adianto ser o MVP no projeto e já explico o porquê, ou como o do baita interlúdio (de corno, digassi de passagi) do Travis pra “Lesbian” com o Gunna e o Thugga.

I ran out of weed, I sent your bitch out of town
Gave her fifteen hundred and she came back with pounds
Rappers think they it, but they really just clowns (21 Savage, “Don’t Come Out the House”)

Como já disse, todos os artistas estavam bem confortáveis no projeto e fizeram o que sabem de melhor: Swae Lee mandou muito bem nas faixas de motel, “Borrowed Love” e “Dreamcatcher”; Gunna e Young Thug matando tal qual uma dupla da Akatsuki em “Lesbian”, o primeiro que também já tinha mandado muito bem na “Space Cadet”. Travis também fez seu padrão nas faixas em que participa, mas 21 Savage foi o destaque do projeto pra mim: Primeiro, em “Don’t Come Out the House” ele manda o primeiro verso ASMR da história do rap, e pasmem, é muito bom. O jogo de punchline do garoto estavam on point e o ASMR funciona mesmo, dormi duas vezes ouvindo a track. E ele mantém o nível em “10 Freaky Girls”, ainda mais com um dos melhores beats do álbum.

In Bikini Bottom, I’m with Sandy
Moesha keep on drinkin’ all the brandy
Keisha eat the molly like it’s candy
Bodyslam a nigga like I’m Randy

Sinceramente, eu não dava nada pro álbum, mas resolvi dar uma chance e acabei me surpreendendo com a quantidade de faixas boas nele, e com o cuidado na produção de não soar tanto como uma coletânea de faixas distantes e dar uma boa coesão. A produção é muito boa, mas nada fora de série, e a perfomance dos rappers tá no mesmo nível ou até um pouco acima. Creio ser uma das gratas surpresas do ano.
 
 

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