Iae seus futuro exilado, suave? A chapa tá quente pra noiz, mas a atividade não para e por aqui não é diferente, hoje, vamos falar do GOAT aka Weezy F Baby aka Baby Jr aka Lil Wayne, apesar de já ter saído review em vídeo, preciso escrever sobre o disco mais recente do menino Dwayne Carter, Tha Carter V, então sem mais lero², partiu.
Quero começar falando dos outros trampos da série Carter, produção e tal. Como vocês sabem Wayne era da Cash Money/Young Money e o disco era pra ter sido lançado em 2013, mas imbróglios judiciais adiaram esse lançamento para 2014, com vários re-agendamentos durante o ano e agora 2018, portanto, o resultado disso tudo é um ‘Frankenstein’ (no bom sentido se é que há) de tudo que passou pela cena do rap durante esses 5, sim, C I N C O, anos em que o álbum estava pronto e estava esperando o homem da capa preta liberar seu debut. E, na minha visão, isso impacta de muitas formas o processo criativo, como podemos perceber em tracks como Start This Shit Off Right, que tem uma sonoridade bem familiar ao que foi lançado no começo desta década. Porém, temos coisas que se fossem lançadas a tempo, seriam considerados vanguardistas, como Let It Fly, que provavelmente teve uns vocais alterados com o tempo, mas soa muito, em seu núcleo, com o que o Travis Scott vem fazendo atualmente (que já é considerado ‘futurista’). Entretanto, tudo isso, não altera de forma nenhuma a qualidade da produção, que, por sua vez, traz detalhes muito finos que só percebi depois de várias ouvidas, ou só trocando a qualidade das caixas, ouvindo no carro, por exemplo.

Uma outra característica que me incomodaria, porém aqui não foi o caso, é a duração do disco, 1 hora e 28 minutos, contudo, olhando pros antecessores, temos uma média aproximada aqui, com The Carter III, sendo o maior (e melhor), de 1 hora e 47, e o seu sucessor, volume IV da série, o menor com 1 hora redonda. Mas, diferente de outros artistas Lupe Fiasco, Weezy consegue trabalhar o álbum de uma forma que não fica maçante essa ouvida de quase uma hora e meia, graças a uma forma bem coesa de montagem, com boas transições, beats que conversam entre si e uma setorização de temas através do trampo. Por exemplo, o início traz uma sequência de abertura com uma intro (emocionante, se tu não chorou não é humano) bem introspectiva e emocionada, seguida da track Don’t Cry, uma track que, talvez junto com Mess Can’t Be Broken, é a mais “particular” do disco, com refrão do X, que se encaixa na transição bem no momento da intro que a mãe de Dwayne começa a chorar.
Falando das faixas mais propriamente, 23 tracks são muito? São! Algumas são passáveis, casos de Dark Side of the Moon, na qual Wayne trouxe Nicki Minaj, que infelizmente está cantando (até bem) e não rimando, que é o que ela faz de melhor, a sequência Demon, Mess e Dope New Gospel, que apesar de, como as demais faixas demostraram, Wayne sabe como rimar fácil, tem beats mais arrastados, refrões fracos e enjoativos e não casam com as demais faixas inseridas em boas sequencias, como a do início, onde temos Don’t Cry, Dedicate, Let It Fly, Uproar e Can’t Be Broken, escalando de uma faixa mais lenta e reflexiva até as bangers, para retornar a uma parte introspectiva novamente, porém, com boas produções e ótimas barras e versos, tipo esse:

It’s alive, it’s alive, I’m revived, it’s C5
Been arrived, kiss the sky, did the time
Please advise, it is advised to be advised
And we advise you not fuck with me and mine
And keep in mind that we don’t mind losing our minds
Free your mind, read your mind, read your mind
Body take a week to find, the cops gon’ be like, “Never mind”

Fechando a conta aqui, temos um bom disco, de fato muito longo pros padrões atuais, porém, a maioria das tracks vai pra playlist, Weezy acertou em muitas. E até as passáveis tem o seu valor, compõe para o todo. Esse sem dúvida, é o mais introspectivo dos Carter’s e o menos comercial, apesar do single trazer um desafio de dança pro instagram (inspirado com certeza em In My Feelings, do Drake), porém com faixas mais concisas, como no storytellin sensacional em duo com K. Dot, Monalisa, onde o MC de New Orleans narra com maestria um plano de assassinato utilizando uma mulher (Liza) para atrair o alvo.

https://www.youtube.com/watch?v=GQ2juiyXk-s
Vídeoclipe de Uproar, que claramente induz a um desafio de hashtags para o instagram. 

Lil Wayne foi bem conservador ao mexer no disco, utilizando beats do seu parceiro de longa data, Infamous (não é o DJ), mas também vislumbrou uma certa contemporaneidade conforme o projeto era atrasado, atualizando-o com o contexto do momento, trazendo participações como Travis e Kendrick e com beats do Zaytoven, por exemplo. Carter V é um trabalho bem feito, apesar de longo, vale o play e muitas tracks o fazem ter um replay value alto, Uproar e Let it Fly, não saem do play por aqui, o homem cabra está de volta, e esperamos que ele não pare!

That’s All Folks.