E aaaaaaae seus Stan enrustido, tudo firmeza? Não sou o Slim Shady, mas I’m Back. Dessa vez to aqui pra discorrer sobre Kamikaze, o álbum surpresa do Marshall.
A primeira coisa que eu pensei quando soube do álbum, logo antes de ir pro trampo, naquela  manhã chuvosa do dia de lançamento foi: “Mano, por quê? Por que você faz isso com a gente, sério?”. Muito triste, levantei da cama, fui me arrumar, baixei o bagulho no spotify pra ouvir durante o busão e saí de casa com a impressão de ter esquecido algo.
Saindo do ponto aqui no Rio Pequeno começa “The Ringer”, de início eu fiquei surpreso porque não era horrível logo de cara, o flow robótico chato é deixado de lado, temos umas quatro variações de flow que se encaixam bem com o beat e muitas sílabas rimadas (como de costume). A produção tinha melhorado muito, se comparada a de Revival. Quanto temática, essa faixa inicial mostra qual é o tom do projeto, um fluxo de consciência onde Em sai simplesmente atacando tudo e todos aqueles que criticaram (com razão) o nono álbum de estúdio do mc.
Quando chegou no Jaguaré já tinha me dado vontade de pular do ônibus em movimento ouvindo o refrão de “Greatest”, um bragga assinado pelo Shady com algumas boas sacadas e outras óbvias demais. “Lucky You” veio junto com a entrada da cidade universitária, e eu já estava começando a me incomodar com a falta de originalidade da produção. Nessa altura parecia tudo mais do mesmo, assim como as linhas do Joyner Lucas .  As barras de Marshall vão mais em direção à concorrência no rap, ele começa com um flow interessante, mas depois tende ao speedflow-robótico-chato-de-sempre, e aí eu já estava pensando que ia tudo por água abaixo, junto com a chuva que estava castigando.
Aproveitei o Skit pra passar a catraca, afinal, já estava me aproximando de onde ia descer também. Andando até o prédio começa “Normal”, minha primeira reação, dado o histórico de Eminem para “love songs”, foi: “Isso de novo naaaaaaaaaaaao”.  Mas cara, eu realmente gostei dessa faixa, tanto que considero o ponto alto do álbum. A bem da verdade, é mais um daqueles storytelling de relacionamentos autodestrutivos que o Marshall gosta de rimar sobre:  troca de chifres pra cá e pra lá, perseguições, juras de amor e sentenças de morte. Entretanto, a produção é gostosinha, a entrega do mc é bem versátil e faz com que a música se torne bem boa de ouvir. O refrão é bom também, chega até a grudar na cabeça. Quando o beat vira com o pianinho fica melhor ainda, nessa hora eu até lancei uma dancinha no estacionamento, confesso.
Estava atravessando a avenida quando começou “Stepping Stone”. Esta é uma faixa ímpar que destoa do restante do álbum, seja na temática, técnica ou na produção. É interessante ver Em quebrando o silêncio sobre todo o seu relacionamento conturbado com o D12, principalmente depois da morte de Proof. Sendo assim, podemos dizer que é uma faixa “fan service”, quem não escuta Eminem não verá valor nenhum nela.
Chamei o elevador que demorou para um caralho, “Not Alike” começa. Royce é um monstro, apenas, B A R R A S. Eminem copiando Bhad Bhabie (pois é). O beat dropa, e com ele vem as punch pro MGK e uns speedflow até que com um pouco mais de substância. “Kamikaze”, é horrível meeeeeeeeeeu deus, a “produção carnival” não me desceu e nem as rimas. Quando o beat dropa é um alívio, a música poderia ter sido aquilo ali desde o início, seria melhor.
Cheguei um pouco adiantado, então me permiti escutar o finzinho do álbum antes da labuta. Slim Shady volta à cena em “Fall” que é fogo puro e passa do limite. Para se autoafirmar ele vai atrás de Charlamagne, Budden, Akademiks, Earl e Tyler, além de criticar duramente os Grammys. Ao atacar o co-fundador da Odd Future, usa tem um termo homofóbico, perdendo total razão (se é que ele a teve em algum momento).
“Nice Guy” e “Good Guy” fizeram com que eu preferisse ter tomado uma facada em um comício político pro-Bolsonaro.
Em “Venom” eu já estava sangrando pelos ouvidos. A última é uma faixa totalmente deslocada e sem sentido,  uma produção aleatória, rimas forçadas/horríveis só pra caber no contexto do filme (que vai ser forçado e horrível também).
Eu só sei que nessa hora eu já estava tão triste a ponto de preferir ser explorado pelo capitalismo em retorno de subsistência medíocre e servil. Fui pegar a chave pra abrir a maldita sala de informática, e cadê a chave? Tinha esquecido a merda em casa. Por que? Porque eu fiquei baixando a merda do álbum. Por isso, fiz meu chefe buscar a chave reserva e tomei mó pito, enquanto, de trilha sonora ao fundo, saía pelos meus fones de ouvido pendurados no pescoço “Venommmmmmmmmm adrenaline mmmommmenntummmmmmm”
:’(

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