Oi, porra. Aconteceu algo inusitado essa semana: a gente conseguiu fazer uma review mais rasa do que o próprio álbum analisado. Quem conhece o nosso trabalho sabe que somos comprometidos com textos de qualidade e sempre foi do nosso feitio explicar os motivos que nos levam a dar as notas, e dessa vez não vai ser diferente. Assumimos nosso erro e viemos aqui corrigí-lo. Dito isso, vamo pro texto.
O Diomedes, como rapper, já demonstrou que tem caneta e sabe se portar em diferentes tipos de produções, mas sua performance na tape como um todo foi um tanto quanto monótona. Apostando muito no tune, o pernambucano não foi capaz de explorar muitas variações na voz, o que tornou sua entrega pouco variada no decorrer das faixas. No que diz respeito a lírica, nota-se uma performance irregular: ao mesmo tempo em que há versos bem compostos (destaco a faixa-título e o da “Se Pá Tá Tudo Ok”), o rapper também contou com muitas rimas clichês (mundo/segundo, meter/me ter são alguns dos exemplos mais notáveis) e repetições tanto nos versos como de refrões, que ficaram ainda mais maçantes quando combadas com a forma que os assuntos foram tratados, bem senso comum: a forma como a temática de “comunismo” foi tratada soou como se tivesse sido elaborada por um senhor de meia-idade que comenta no Facebook, onde o uso de palavras bonitas disfarça o quão raso o conceito se apresenta. Todos esses elementos apresentados contribuíram pra que o Diomedes ora ou outra tomasse um renegade de um feat: aconteceu nos versos do Raffa Moreira, do Djonga e do Nego Max por exemplo.
No que diz respeito à musicalidade e às produções da tape, também é fácil notar a irregularidade. Em meio a faixas bem interessantes de se ouvir, que destoam do usual apresentado nos trabalhos brasileiros de rap (como por exemplo a “Outro Dia”, a “Ménage” e a “Diabinha”, esta especialmente na virada pro brega), há também músicas cansativas e sem replay value, que beiram a cafonice (oi, “Fake Bitch” e “Alma Perdida”). É válido ressaltar que na “Camisa 10”, na “Call Communication” e na “Câncer”, se não fossem as ótimas participações do Felp, do Don L, do Raffa e do Nego Max, as faixas tenderiam ao mesmo caminho do cringe já exemplificado nas duas últimas músicas do álbum (sério Diomedes, com todo o respeito, o refrão tunado “Sou um campeããããõ” na “Camisa 10” dá vontade de enfiar um parafuso em cada ouvido).
Num apanhado geral, a mixtape “Comunista Rico” se apresenta bastante irregular e, tomando uma média entre os momentos interessantes e os maçantes, os maçantes prevalecem. Mesmo se utilizando bastante da sonoridade do trap, o Diomedes conseguiu cair na mesmice no que diz respeito à performance vocal e aos temas propostos, o que ofuscou alguns bons versos escritos por ele. A maioria das produções seguiu também uma sonoridade cansativa, exceto as já citadas “Outro Dia”, “Ménage” e “Diabinha” e talvez devido a isso o rapper tenha se apresentado tão igual. Mesmo quando conseguiu se destacar em uma dessas produções monótonas, o Diomedes soou muito mais como certas referências que usa (principalmente o português Regula) do que mostrou um estilo próprio ao fazer trap (esse estilo reminiscente do Regula é muito notável na faixa-título e na “Jovem Nego Rei”).
Como mídia independente de rap, o nosso papel é abordar, de forma imparcial, os trabalhos da cena, apontando eventuais pontos fortes e fracos e assim, contribuindo pro desenvolvimento do rap de qualidade no Brasil. Obviamente não estamos isentos de crítica e assumimos quando nossos textos fogem da qualidade padrão. A Rap Sh!t conta com o feedback dos leitores para que possamos melhorar cada vez mais o nível das reviews e, com isso, contribuir ainda mais para o sucesso da cena brasileira de rap, e acrescentamos que o autor da review original não tem nada pessoal contra o MC, inclusive curte e acompanha o trabalho do mesmo. De resto, foda-se.

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