E aeeeeeee, seus Esú ou RPA CD do ano de 2017, tudo firmeza? Por pressão popular eu estou de volta (Mentira, eu que insisti pro Vinar). De qualquer forma, o melhor estagiário/revisor/fã de Donl dessa indústria vital de merda está aqui, dessa vez, para trazer a vocês a review do verdadeiro álbum do ano de 2017, Regina. O projeto completou 1 ano esses dias, e em breve vai estar rolando uma festa de comemoração aqui em SP, a qual eu estarei presente com certeza, e vai rolar matéria aqui também pra vocês, então, acho o momento propício.
Antes de qualquer coisa, nada contra Esú ou RPA. Inclusive, até acho que estão no top10 de 2017, sem dúvidas. Maaaaas, hoje vou tentar mostrar o porquê Regina é único na cena nacional.
Comecemos pelas críticas de mais força. Sim, você não vai encontrar uma lírica afiadíssima aqui (apesar do incrível wordplay guardanapo e guarda nacho), alguns também apontam que a métrica de niLL, em determinados momentos, não se encaixa de forma satisfatória no beat. Bem, nós podemos conceder esses argumentos, e, mesmo assim, o valor do projeto se mantém. Como? Originalidade.
Pra começar, o vaporwave. Quem fazia isso na cena antes do integrante da SFG? Desde a ótima produção até as letras, de forma muito bem dosada, com samples retrô, referências aos vídeos-games clássicos, cultura nipônica, críticas à tecnologia moderna que praticamente vivem por nós (nestas vemos metáforas muito interessantes), ou seja, está tudo presente.

Eu erguendo um império, ela assistindo TV
Eu planejava o jantar, ela só escolhia o prato que ia comer
Isso também é pouco culpa da Internet
Que criou “Zé-Povinho Hi-tech”
Matou o amor a moda antiga no mousepad
Deixou os corações mais vazios, igual a locadora de VHS

 
Falando especificamente da produção, quase todas as faixas estão no nome do niLL, com exceção de “Wifi” produzida por Reptil e “Tchau, Regina” assinada por Estranho. Essa presença forte do próprio MC na criação dos beats contribui em grande medida na coesão da atmosfera do álbum, citada no parágrafo anterior. Nesse quesito, deixo os destaques para as faixas “Valete de Copas”, “Jovens Telas Trincadas” e principalmente “Atari Level 2”.
Seguindo, temos outra vertente: a dos sentimentos familiares e pessoais numa visão original, introspectiva e, por vezes, até banal criada pelo MC. O álbum é dedicado a mãe do niLL, levando seu nome, a capa foi desenhada por sua sobrinha, os áudios de whatsapp, com conversas sobre a janta, dilemas a respeito de salgados assados ou fritos, problemas com a CPFL; Toda essa originalidade merece seu valor numa cena lotada de objetivos fracos, temáticas saturadas e braggadocious enjoativos. Nós, meros mortais, nos conectamos com essas imagens. A simplicidade/banalidade não funciona como algo vazio porque ela é intencional, é o caminho inverso do que muitos fazem: tentam soar extremamente complexos e acabam sendo só vazios, sem nenhum propósito.

Sabe, mãe, tem dias que a noite é foda
O pai já não me escuta, então só neurose que sobra
Vou ir lá buscar as meninas, sair pra dar um rasante
A Duda ainda é pequena, o mundo ainda é gigante
Continuo reclamando lá na CPFL
O caminhão vem igual linha chilena no fio, já se passa das sete

 
Ok, Gustavo, então você está falando que o melhor álbum do ano passado é apenas simples e normal? De forma nenhuma. Eu diria que Regina se utiliza de uma maneira simples e única para apresentar questionamentos profundos, que transitam por temáticas familiares, amorosas, dilemas pessoais, da fama e por aí vai.  Se trata de uma progressão, Regina começa falando de sentimentos familiares e pessoais, depois transita para relacionamentos amorosos, passa para a autoafirmação, até desbocar numa espécie de frustração com momentos da vida que, ao final, se converte em saudade e, novamente, em família, fechando o ciclo.
1 ano depois, Regina é um projeto mais sólido ainda, mantendo sua originalidade intacta. Deu prestígio não só ao niLL como também a toda sua banca. É um álbum que faz tanto sentido, e pode se relacionar de forma tão presente, que tá no meu repeat até hoje.
Pra quem se interessou pelas figuras temáticas de Regina, recomendo o vídeo do Quadro em Branco, um belíssimo trabalho!
Mas é isso aí. Concorda? Discorda? Comenta aí. E antes que o cabo de rede nos separe, vai lá conferir a review de Foodstation da SFG que dropamos esses dias.
Dispiei no Jutso.

One Reply to “Review Nacional: "Regina" por niLL”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.