No último dia 8 de junho saiu Kids See Ghosts, um disco do grupo composto por dois dos maiores nomes mais importantes do rap nos últimos dezesseis anos, quase vinte . Kanye West e Kid Cudi são, para o mainstream norte americano e para o rap mundial, os maiores nomes de uma nova estética de fazer música – não se restringindo só ao ‘rap’. Kanye começou tudo com seu clássico “The College Dropout”, mesmo não ampliando uma nova perspectiva sonora logo de cara, mais fazendo o que até então não se era usado com demasia vamos dizer assim, que era falar de si mesmo sem parecer aquele velho clichê de homem negro fazendo sinais com a mão ao mesmo tempo que porta uma glock. Kid Cudi veio depois com seu clássico “Man on the Moon” e pronto, caras como Travis Scott e XXXTENTACION surgiram. Era um novo jeito de se pensar em fazer rap, escrever rap, viver rap.
Com uma temática voltada para depressão e abusos, seja da fama ou drogas, Kids See Ghosts é quase perfeito. Sua produção é ótima do começo ao fim, seja pela mixagem do excelente Mike Dean ou as batidas orquestradas por tantos nomes que não irei citar porque estou com preguiça. Os beats são lindos, há samples bem característicos que todo fã do Kanye já tem noção, exemplo disso é no maravilhoso “Cudi Montage”, faixa que tem sample retirado da música “Burn The Rain” do Kurt Cobain – essa é uma das minhas favoritas diga-se de passagem. Essa faixa muda de narrativa fugindo um pouco de uma grande linha introspectiva que reinava no projeto e foca em um Kanye rimando sobre a violência entre gangues e a mentalidade de violência que ainda gira entre os jovens negros. O legal dessa faixa é que o Yeezy parece um pouco decepcionado, afinal, toda sua discografia foca em assuntos que a todo momento tentam distanciar o Hip Hop norte americano de uma estigma social clicherizado, mas parece que a garotada não o escuta mais (por quê será né?)
Outro que tá muito bacana é o Kid Cudi, eu amo esse cara. Na faixa “Reborn”, parece que eu estou ouvindo o Man on The Moon, não posso negar que fiquei um pouco emotivo na hora e todo clímax é muito bem feito. As sete faixas se comunicam, dialogam. Toda a proposta atinge uma nota alta porque, partindo uma premissa simples e até mesmo datada para ambos, eles conseguem trazer uma sonoridade não cansativa, com uma roupagem diversificada. Só gênios conseguem transformar o pouco em ouro, e é por isso que considero, até agora, esse o melhor disco de rap no ano.

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