Eae seus grava clipe em posto de gasolina, hoje o texto não é meu, essa sexta (22) rolou o último show da turnê RPA 3 do Don L, e o Gustavo, que já ajudou a gente com algumas coisinhas por aí foi lá conferir, segue o texto dele na íntegra:
E aaaaaae seus hater de Don L que vai no show do cara, tudo beleza? Você deve estar se perguntando o porquê da minha presença nesse maravilhoso aglomerado de bits e bostas que amamos tanto. Já de antemão, saiba que compartilho dessa mesma dúvida.  Fato é que não tinha ninguém melhor disponível, e por ironia do destino, eu, um hater assumido do favorito do seu favorito (título questionável), fui convidado para estar presente no último show performático de Roteiro Para Aïnouz VOL.3. A parada rolou aqui em SP no SESC Pinheiros no dia 22/06 e foi… (aah, eu estou entrando num caminho sem volta) FODA!
Bom, se você acompanha o trampo do Don, imagino já estar por dentro de todas as temáticas, imagens e tensões que o RPA 3 apresentou. O olhar pessimista e crítico sobre a suposta mediocridade da cena musical brasileira, com enfoque na subversão da cena do rap; os dilemas internos, no melhor estilo Macunaímico, de alguém que se sente estranho tanto em sua terra de origem quanto no mundo novo de “depresSão Paulo”; para depois, ao final, munido de suas ferramentas e de uma noção efêmera da vida  (e por que não de sua arte?) findar, com um suspiro extra, esse primeiro projeto aclamado pelos fãs.
Feita a contextualização mais rápida e sucinta do mundo, sem mais delongas, vamos a minha experiência.
No palco três estruturas, uma para o finíssimo DJ Roger, que mandou muito e soube fazer o dele sem problema nenhum, outra para o guitarrista Guilherme Held, com uma participação foda de riffs e solos que só indo no show mesmo para poder apreciar, e, no centro dos dois, uma estrutura de telas muito bem explorada pelos artistas como uma espécie de segundo plano para as apresentações. Outro ponto bem trabalhado foi a iluminação, fundamental para dar vida ao ambiente do projeto. Mas vamos com calma, comecemos pelo começo.
Don L sobe ao palco com “Eu Não Te Amo”, juntamente com Terra Preta, presença fundamental nos vocais durante todo o show. A melodia marcante de Deryck Cabrera já é suficiente para chamar o público que canta junto. Diomedes faz sua primeira aparição no feat, em uma boa abertura de show.
Logo em seguida vem “Fazia sentido”, gosto dessa faixa, e ela funciona bem como no álbum. Para minha surpresa, em meio aos “um dois, um dois” Terra Preta faz a ponte para “Minha Lei Freestyle”. Foi foda, eu gosto das linhas afiadas do Don nesse som, essa junção funciona para acentuar a temática do braggadocios e a técnica de delivery constante do Don. Ah, Terra Preta também largas algumas linhas de “Shaka Zulu”.
Nesse momento temos uma pausa musical, Don e Terra Preta saem de cena para a entrada Dugueto Shabazz com um puta poema de prosopopeias que dá vida a becos e vielas, tornando-se, literal e metaforicamente, a voz dugueto.
“Aquela Fé” chega, e para mim é, de longe, um dos pontos altos no show. O ambiente da música se faz presente no palco, luz baixa, riffs distantes, “Uma Frase Muda o Fim do Filme” ecoando em loop ao fundo, Terra Preta mandando muito no refrão. É aquilo ali, você se sente saudosista o suficiente para buscar a mesma fé almejada por Don. Quando o beat vira, Nego Gallo destrói, agressivo e, ao mesmo tempo, em harmonia com os demais elementos.
Diomedes volta com “Nem Tudo é Só Dor”. Eu já tinha escutado que o ao vivo do mano não era lá aquelas coisas, mas gostei muito. Pelo menos nas participações pontuais de Chinaski, ele entrega uma boa performance.
Seguindo para “Cocaína”, temos o ponto alto da guitarra. A versão gravada já tinhas contribuições fortes do instrumento, mas no ao vivo ficou ainda melhor. Um salve para o solo final estendido da música, que funciona como a versão “Cocainterlúdio” do show, Guilherme Held mandou muito.
Na sequência, toca “Mexe pra Cam” com Lay subindo pela primeira vez ao palco. E aqui ressalto uma articulação legal da estrutura usada como segundo plano, citada lá no início. Enquanto Don rima em primeiro plano, Lay no segundo, ao fundo das telas, dança sensualmente, personificando a “garota vício” da faixa. Quando a Mc passa a rimar, o papel se inverte, ela toma a frente e Don L vai ao fundo. Não rola o “lap dance” do som, mas eles interagem dançando. Para alguns, essa é uma faixa passável do álbum, mas foi interessante ver a performance dos dois artistas juntos.
A cronologia do álbum para mais uma vez e temos “Beira de Piscina”. O remix do Don L é melhor que a versão original? Eu não, eu só sei que o Terra Preta destruiu no refrão, canta muito! RPA volta com “Ferramentas” e um auto-tune bolado, Don demonstra o mesmo flow suuuujo da versão de estúdio e, para os mais atentos, os canhões de luz se cruzam formando o “xis da questão” presente na letra.
Em “Se Não For Demais”, o frenesi final de RPA é convertido para o show. Começa aí uma boa sequência de faixas, que mescla muito bem o fim do álbum com outros sons selecionados. Para variar um pouco, temos Terra Preta killando, Don entregando consistência de performance e um público agitado chegando junto nas pontes. “Laje das Ilusões” traz toda sua efemeridade nas inconstâncias frenética das luzes que compõem a iluminação, é um ambiente agitado e contagiante. Na sequência, sem cair o ritmo,  vem “Nem posso Dizer” e  “Rolê dos Loko”, do Caro Vapor, Terra Preta chega somando com “Os Muleke é Zika” e “MMXVII FLOW”, Lay vem pesada com “Bitch Star” e “Mar Vermelho” (que segundo ela tá pra sair clipe), o bate cabeça foi na conta do Diomedes com “Tipo Maçom” e “Sulícidio” (cantei emocionado, assumo), só quem foi viu Nego Gallo pulando no meio da galera. Falando nele, chão tremeu com “O Bagui Virou”, geral no palco cantando, sério, foi foda demais.
Quando geral tava pilhadão, vem Don L com “Morra Bem, Viva Rápido”… e é aquilo né, um final digno com um puta som foda (cantei emocionado, assumo 2). Se você nunca ouviu esse som ao vivo, só lamento.
“Vocês são meus irmãos de alma, vocês sentem o que eu sinto. Então, de verdade, sem papo de caô, isso aqui é família, eu sei que isso aqui é família”, diz Don sob aplausos ao final do show.
Considerações finais, o hater pagou a língua. Embora eu ainda critique (mais por ser um meme interno da shitmob, admito) o preciosismo em torno dele, e o ache bastante superestimado, não tem como negar que Don L encerrou o ciclo de Roteiro Para Aïnouz VOL.3 com um show completo, que valeu o ingresso daqueles que colaram no Teatro Paulo Autran. Então, (no melhor estilo Big Quint) se você é fã e nunca escutou Don L ao vivo, tá moscando, se não (como eu rs), se tiver um tempo livre e grana pra ostentar, vale a pena, o bagulho é alto nível.
Se a intenção com RPA VOL.3 era preparar o terreno para o restante da trilogia reversa, mission accomplished. Confesso que depois dessa noite me animei, talvez Don L tenha tocado meu coração de hater (ou não rs).
Fui.
gangangang

One Reply to “A Experiência de um Hater no show de Don L”

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