Fala aí, seus live action de anime! Tudo tranquilo? Cacique de volta neste famigerado site, e desta vez para revisarmos a soundtrack do filme mais aguardado do ano, “Black Panther”. Já não bastasse o hype do filme por se tratar de um herói foda, ter toda a importância que o mesmo traria na questão da representatividade da cultura negra dentro desse universo de heróis da Marvel, ter um elenco pica, e etc… Os caras convocaram ninguém mais ninguém menos que Kendrick “O Kerido” Lamar pra assumir a responsa da soundtrack, então vamo ver no que deu após cê clicar nessa porra aí

Ah, vou tentar fazer a review o mais spoiler free que eu conseguir. 🙂


Logo de cara, na track “Black Panther” Kendrick chega rimando sobre ser rei, mas ele faz isso de várias perspectivas e isso se percebe ao longo do álbum inteiro. No início da track, a perspectiva de T’Chala e Kendrick se misturam, enquanto um instrumental orgânico e laid back acompanha, e então o beat vira pra um som mais caótico e o flow do Kerido acompanha isso, o que eu interpreto como a perspectiva do Killmonger que é o anti herói do bagulho. Isso vai se perceber também mais na frente, em “Paramedic”, que pra mim se tornou uma track bem mais foda depois de ter visto o filme: Nela, a galera lá da SOB X RBE rima sobre o ambiente em Cali (e de fato, tudo nessa track remete a California), tema recorrente na discografia do Kendrick, mas também conota a um aspecto chave do filme que é o passado desse “vilão”, tudo o que ele presenciou pra que ele se tornasse o que vemos no filme e dessa forma uma track que parecia ser só mais uma track legal ganha um significado foda e se torna melhor ainda

I’m a California nigga and I’m heavy in the streets (“Paramedic!”)

As duas tracks a seguir, “All The Stars” e “X” não remetem tanto a esse aspecto do primeiro paragráfo, mas ainda assim são ótimas tracks pra ambientação do álbum. Na primeira track o destaque fica por conta de SZA e sua bela voz (Não só a voz tho ( ͡° ͜ʖ ͡°) ) já que o beat não é tudo isso mas faz seu trabalho e o verso do Kendrick é bom mas também não é pra muito alarde, já na “X”, a primeira track mais turnt up do álbum, temos Saudi um rapper de Soweto – que intercalou Zulu no seu verso e ficou muito foda -, 2 Chainz e ScHoolboy Q que é o dono da track, todos mandando aquele bom e velho bragadoccio.
“The Ways” é a próxima na tracklist e também uma das minhas favoritas, podemos dizer que é a lovesong do projeto, Khalid e Swae Lee se juntam pra versar e cantar sobre se apaixonar por uma mulher poderosa (Quem já viu o filme tá ligado que tem muita relação) em cima de um instrumental bem moody do BADBADNOTGOOD. Já “Opps” é totalmente o oposto, bem caótica, com um instrumental que me lembrou muito algumas cuts que ouvi do Big Fish Theory do Vince (Não ouvi ele todo), e nela os rappers versam sobre “guerra”, dois lados opostos em combate, o que vai remeter ao protagonista e o antagonista do filme.
E daí pra frente a gente vê um certo padrão na tracklist, contendo aquelas músicas mais profundas e até instrospectivas como “I Am” – a qual traz vários significados entrelaçados com o filme, checa o Genius – e “Seasons”, as duas caracterizadas pela vibe bem chill out, e na primeira o vocal de Jorja Smith, enquanto na segunda artistas africanos Sjava e Mozzy – que cospe um verso inteiro em zulu na track – e também o rapper Reason abordam as dificuldades e batalhas que os negros travam diariamente na sociedade, track foda por sinal.

You aimin’ at passengers with a shotgun?
The aftermath is you in the scope
It’s warfare, is war fair? (no)
You understand? It’s probably better you don’t (“Bloody Waters”)

Também rolam as tracks mais parecidas com “X” e “Opps”: caóticas, turnt up, etc. Como exemplo: “Big Shot” onde rola uma parada que me agrada pra caralho quando rola que são os rappers cuspirem seus versos com o mesmo flow, acrescentando o jogo de sílabas do Kerido fica 10/10; e “King’s Dead” que é uma track muito pica, tirando o “la di la di la” do Future.
Então fica faltando comentar “Redemption” que é a música dançante do álbum, mas não é colocada ali de um jeito forçado, muito pelo contrário, tudo soa muito natural justamente pela referência africana no som. Mas não posso dizer o mesmo de “Bloody Waters” e “Pray For Me”, que apesar de serem boas tracks por si só, senti que foram jogadas de qualquer jeito no álbum.
No mais, é isso aê. Ótimas tracks, funciona bem pra caralho como uma trilha sonora e até mais que isso.
Mas antes de finalizar o texto, queria compartilhar aqui a campanha da galera da Black Pipe Entertainment, o #DesafioPanteraNegra que vai ajudar a levar crianças carentes pra ver esse puta filme que também tem uma carga social imensa, se tá afim de ajudar é só clicar AQUI e até a próxima review, seus “é tal coisa que chama, né?”. (Sim, tem xingamento até no final agora, vocês merecem <3)
 

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