Depois de meses, consegui curti um trampo nacional e ele é do Rodrigo Zin. Integrante do grupo curitibano 0800 Crew, Rodrigo largou um EP que serve de introdução para seu futuro e próximo álbum chamado #ninguém e que se chama “Francisco Oceano” – como vocês puderam perceber no título. Homenageando um dos maiores artistas da música negra nas últimas duas décadas, Rodrigo pega emprestado o nome do cantor norte americano Frank Ocean e intercala com o nome da rua São Francisco que fica em Curitiba, e o resultado? Ora, vamos descobrir. 
Esse EP é algo fechado ou introspectivo bem charmoso e interessante. O conceito permeia em temas que circulam por debates sociólogos e filosóficos paralelamente a um diálogo com nosso senso pop cultural. O mar, ou o oceano, tanto na literatura como na poesia, é algo que trás bastante significados para muitos autores, no entanto, esse tipo de tema sempre está inserido em ponderações sobre solidão, busca, perdição, amores que se vão e por aí. Nesse trabalho o Rodrigo tenta trazer várias reflexões sobre o oceano, mas ele sempre atira em temas específicos como à relação humana em seus mais diversos aspectos e o que isso acarretou em sua vida, resultando desilusões. A produção ao meu ver foi algo que limitou uma atmosfera que poderia se expandir mais e mais, entretanto, rola algumas mudanças de baterias aqui e ali que me pegaram desprevenido de tão tímidos, legais, mas ainda sim nada demais. A interação heterogênea do R&B com alguns future boom baps são bem calmos e funcionam, porém, eu percebi que os beats não conseguiram acompanhar as reflexões postas ali. Rodrigo Zin assina quase todas as batidas, há trabalhos de Gledson, Bryan GD e Will BR que devem ser creditados, é óbvio.
As minhas músicas favoritas aqui são “Juvia”, “Noitosfera”, “Catuaba Lo Fi” e “Santanna” por justamente trazerem aqueles diálogos conceituais que falei para vocês lá em cima. Em “Juvia”, o Rodrigo solta “Eu chego em casa fodendo cigarros e fedendo a você” e nós nos perguntamos, como assim cara?! Pois é, há uma divagação constante sobre a relação humana principalmente sobre relações amorosas e de como elas são frágeis hoje em dia. Como nossa geração hoje está imersa em um mar de amores líquidos, é Zygmunt Baum e Rodrigo Zin dialogando em forma de música meus amigos.

E quando você vai perceber
Que cigarro e amor são parecidos?
E tu fala que vai parar de fumar
E eu parar de amar? eu duvido
O mundo ainda olha por mim
Do telhado do bar, sou eterno
Pensando em voar, não morrer
Só dizer o que sinto pro dono do inferno” (“Santanna”)

Francisco Oceano é um EP sorrateiro com grande poder atmosférico, ele tem problemas em colocar base ante seus pés, mas é muito interessante. Quando o Rodrigo finalmente está começando a colocar todas as peças na mesa, o disco termina e ficamos nessa, a espera por mais. Tem seus errinhos, ou falta de mais ardor com relação às barras – ele não se mostrou um MC muito hábil -, no entanto, tem grande qualidade conceitual e musical. Escutem esse EP e vamos esperar pro álbum que vai sair já já. É isso, até mais.

 
 
 
 

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