Eae seus mr. Lonely, suave braite? Estamos de volta porra! Agora é só questão de tempo pra dominar tudo, mas como estamos de volta e aqui é trabalho meu filho, vamos direto ao que interessa né, segundinha de carnaval e vamo de review, vocês já viram aí no título, hoje é a do rapaz que quer salvar as abelhas, Flower Boy de Tyler, The Creator.

Vou ser honesto, quando o álbum saiu, eu tava mais interessado em ouvir DAMN., do Kerido, e não dei muita atenção pra esse disco atitude incorreta, podem me repreender, mas do momento em que resolvi escutá-lo em diante, percebi o quão bem estruturado, construído e coeso é esse projeto, apesar de ser bastante introspectivo, reflete um cenário infelizmente muito comum hoje em dia: trata da tristeza, solidão e conflitos internos, tudo embalado numa temática única que só Tyler poderia trazer, uma variação fudida de sintetizadores, participações inesperadas LIL WAYNE e figuras carimbadas como Frank Ocean, que entretanto, deram o melhor aqui.
Como disse na abertura, o que mais se destaca logo na primeira ouvida (além da temática) são os arranjos, cada música traz à tona um sentimento, com arranjos que fazer pares únicos com barras rimadas que se distanciam muito do rap ordinário, mas de uma maneira que não deixa de ser rap, possibilitando uma versatilidade enorme para apresentações ao vivo, que vão de shows convencionais a maravilhas “acústicas” como essa apresentação na NPR:

Ainda sobre os arranjos, Tyler conseguiu conectá-los entre si, para que tenham coesão e construam uma história, em que ele aborda depressões, solidão, amizades, sexualidade, amores, fama e mais, tornando o álbum um registro extremamente introspectivo porém capaz de se conectar às historias do cotidiano, e, assim por meio de contradições explorar temas espinhosos, fazendo referencias desde o título do albúm, como em “Garden Shed” até composições anteriores, inclusive acho extremamente importante o fato de artistas se posicionarem quanto à sua sexualidade, sentimentos, humores, etc, que são a coluna vertebral da arte em qualquer estado.  (nt: procurem um documentário do xilften, que aborda a construção da sexualidade nos homens, The Mask You Live In, ajuda a compreender melhor algumas “metáforas” desse disco).

For the garden
That is where I was hidin’
That was real love I was in
Ain’t no reason to pretend
Garden shed, garden shed, garden shed
Garden shed for the garçons
Them feelings that I was guardin’

Uma coisa que achei interessante, foi a forma que as produções do trampo me lembram da soul music dos anos 70, puxando um pouco pro funk, com um tempo mais baixo, e combinaram perfeitamente com as participações, a única que destoa um pouco dessa “métrica” e é um ponto fora da curva foi “Who Dat Boy”, tanto na construção, quanto na participação e no tema, o que a liga às demais faixas e a torna coesa é o fato que na maioria das vezes em que fundador da Odd Future vai se referir à um sentimento ou atitude ele cita bens materiais ou um gasto de grana absurdo, tal como Kanye em “Welcome to the Heartbreak”.

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O disco no geral me agradou bastante, é uma ouvida rápida (50 min), porém consistente, inclusive tenho abordado isso bastante nas ultimas reviews, álbuns curtos e impactantes, que conseguem passar uma mensagem num período de até uma hora. Além de escrever junto com as participações, Tyler produziu todas as faixas, o que dá uma característica ímpar ao projeto, que chega a ser intimista, porém inovadora. A grata surpresa do trampo foi ter descoberto a Kali Uchis tô por fora dos RnB, mandem recomendações no Twitter, e também poder testemunhar os vocais maravilhosos do menino Oceano que mandou bem demais em todas que participou, temos também uma faixa com Tunechi (sdds, #releaseThaCarterV), acredito que por aqui foi tudo muito bem feito e nada faltou, a única coisa que poderia ter acontecido, mas o universo não colaborou com a participação do Mr. West em “I A’int Got Time”, fora isso, Tyler fez um ótimo trabalho, nada novo abaixo do sol.
É isso rapeize, até próxima! Veja outras reviews do Tyler, The Creator, segue a gente no Twitter e dá um like no Facebook.

One Reply to “Review: "Flower Boy" por Tyler, The Creator”

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