Dezembro é o mês em que a família não-tradicional se reúne para celebrar um grande evento… Natal? Não, pô, minha lista de álbuns preferidos do ano!

O referido ciclo espaço-temporal foi uma D!$$GR4ÇA™, tanto no pessoal quanto no profissional: minha saúde física e mental estavam sendo constantemente drenadas pela succubus Vida e, pela terceira vez em três décadas, flertei novamente com a dona Morte. Envolto nesse “menáge a trollar”, tudo convergia para a não-realização do devido trabalho, porém surgiram mais dois elementos na brincadeira: inspiração e propósito.
cmm
Eis que, nessa orgia existencial, percebi que fui designado à uma missão: assim como Jorge precisa salvar os velhos, as flores, as criancinhas e os cachorros, preciso salvar a juventude da mesmice manipulatória e expectativista das listas de reprodução. Tal qual aquela famosa fábula cristã, o Messias retornou.
Caso não tenha visto a lista de 2016, chega AQUI. Ah, e reforçando os mandamentos:
PS1 (clássico): Não coloquei os ditos “grandes lançamentos”, pois não ligo pra maioria e a maioria se encarrega de falar sobre; listei os álbuns mais ouvidos e/ou mais significativos pra mim, então nem adianta chorar que “MC Fulano é melhor” e etc.
PS2 (melhor biblioteca): Pra conseguir fechar a lista, não cogitei EPs, mixtapes e afins; ao contrário do ano passado, e com muita dor no coração, não incluí álbuns instrumentais, pois acho que merecem uma lista própria – considerarei isso no próximo ano.
PS3 (me tornei “caixista” na época): Não contém nenhum nacional, pois não bebo o mano Shaq já fez uma lista exclusiva sobre.
PS4 (meti o louco e comprei, pois a merda do dinheiro não pode ser só pra gastar com remédios e taxas abusivas): Também lancei um EPzinho esse ano, que cê pode ouvir AQUI e ficar triste.
Que Grande Quint abençoe o dia.

10Lando Chill – The Boy Who Spoke To The Wind
Pode-se dizer que arte é alquimia: amálgama e, principalmente, transformação de elementos. Partindo desse ponto, Lando se inspira em O Alquimista, de Paulo Coelho, e traz um álbum com uma ótima sonoridade (a produção é majoritariamente assinada por The Lasso e o baixista Chris Pierce), poetizando perspectivas espirituais e abordando questões raciais com um vocal característico (por vezes, a fonética me remeteu a artistas de reggae), alternando a rimática com vocais melódicos e declamações (spoken word).

.
9. Grieves – Running Wild
Por falar em sonoridade, é exatamente isso o que me atrai no trabalho do menino Benjamin; mesmo após a quebra da eficaz parceria com Budo (outro produtor que figura na minha lista de referências), continuou acertando na escolha instrumental e estrutura das composições. Mantendo a melódica costumeira, o álbum segue um tom “músicas descompromissadamente boas pra dar um rolê pela cidade enquanto se aprecia a paisagem e/ou se lembra daquele caso perdido e/ou daquele caso disfuncional, terminando num bar pra reforçar alguma ilusão e falar pra ela que tá tudo bom (risos)”, alternando entre alguns momentos mais melancólicos – que, aliás, é onde se encontra minha faixa preferida, pois ~sou desses.

.
8. NocandoSevered
Após a tormenta envolvendo “o fim” do promissor Hellfyre Club (enquanto coletivo, pois ainda respira por aparelhos enquanto selo) e de seu casamento, McCall retorna acompanhado de algumas boas produções, mesclando elementos popularizados pelo trap e apostando certeiramente em vocais melódicos – embora oscile um pouco em alguns momentos, quando densidade se torna chatice. Destaque pra faixa El Camino, na qual há uma boa linha-de-soco direcionada a Macklemore.

.
7. AllttA – The Upper Hand
Há mais ou menos uma década, nalgum blog por aí, conheci Hocus Pocus e me tornei fã das produções do 20syl (que também figura na minha lista de referências e já me notou); logo, conheci The Procussions e passei a acompanhar o trampo do Medeiros (até remixei uma de suas músicas). Apesar de gostar de ambos, esse é um álbum relativamente dúbio, pois, enquanto a sonoridade é ótima (mesmo achando a faixa Drugs chata, não posso dizer que é mal feita), a execução do projeto é ótima (os caras souberam como criar algo que pega em festivais de música eletrônica), há um elemento que me incomoda um pouco: cristianismo. Mesmo longe de soar como pregação, algumas linhas com certa corrente moral/ideológica me desconectam.

.
6P.O.SChill, Dummy
Após se recuperar de um transplante de rim e “trocar de pele“, um dos membros-fundadores do Doomtree (onde Dessa também reina) retorna ao solo sob supervisão do produtor (e parceiro de coletivo) Lazerbeak, além de várias colaborações vocais – entre elas, os ex-Hellfyre Club Open Mike Eagle e Busdriver. Ora mais introspectivo e reflexivo, ora mais combativo, esse álbum escorrega um pouco, mas ainda fica a frente pelo meu apreço ao anarquismo pós-punk do Stef.

.
5. Open Mike EagleBrick Body Kids Still Daydream
Maiquinho Aguiar continua sua caminhada linda e elegante em mais um álbum conceitual. Inspirado pela demolição do projeto habitacional Robert Taylor Homes, em Chicago, e, consequentemente, nas famílias despejadas de seus lares (daí a estética da capa), mantém seu costumeiro tom sereno e passeia por tópicos sócio-políticos com analogias/metáforas com super-heróisironias sobre masculinidadeprotestos anti-presidenciáveis e, claro, “humor negro” (Dark Comedy é um de seus trabalhos mais aclamados, tornando-se uma meta-referência constante em suas obras).

.
4. Kristoff KraneKairos Part One
Há tempos esperava outro álbum do Keller… Aliás, tempo é um conceito que se aplica/duplica/replica aqui: Kairós é uma entidade da mitologia grega que simboliza o tempo oportuno/indeterminado/incontrolável. Em parceria com o produtor/baterista Graham O’Brien, o álbum contém uma sonoridade que eu definiria como “tribal-futurista”, com sintetizadores e texturas atmosféricas e cadências alternadas que exaltam os vocais, casando com as letras repletas de simbologias. É uma obra literária existencial-espiritual-surrealista musicada e fragmentada.

.
3. OddiseeThe Iceberg
Pra mim, o melhor trabalho do Amir. Produzido em parceria com os músicos de sua banda, é um ótimo exemplo de como unir mensagem e musicalidade (mesmo quando insiste num terceiro verso desnecessário) e ainda soma pontos por essa performance.

.
2. MiloWho Told You To Think?​?​!​!​?​!​?​!​?​!
Não escreverei muito; leia ISSO e entenda um pouco do meu apreço pelo Rory. Rap e filosofia, ao lado de arroz & feijão e Orkut & MSN, no mural das grandes combinações da história. Ah, e eu queria ter uma katana

.
1. SadistikAltars
Já acompanhava e gostava do Cody, desde que o conheci no ótimo projeto em parceria com Krane e O’Brien; nos últimos anos, após me encontrar no lado sombrio da força, passei a me identificar muito mais com sua temática. Ouvi incontáveis vezes esse álbum (principalmente enquanto me aventurava por Lordran e Drangleic) e a única certeza, enquanto fazia essa lista, era que estaria em primeiro lugar. Antes de discorrer sobre, assista ao vídeo de Free Spirits, primeiro single promocional. A produção musical absurda e o vídeo simbologista-metafórico lhe garantiram o status de obra audiovisual do ano aos meus sentidos – nada do que veio depois me impactou tanto. Lançado pelo selo Equal Vision (cujo foco são vertentes de rock), é um álbum com viés ateísta, oposto aos paradigmas religiosos institucionalizados (amém!), que também insere questões mentais e/ou psicológicas. Flertando com alguns elementos presentes no trap, é solidificadamente estruturado e consegue alternar/mesclar momentos crescentes e decrescentes, mantendo uma densidade harmônica coesa (Salem Witches é a única faixa que não me agrada muito sonoramente); em meio as recorrentes referências cinematográficas, há referências à Bitch, Don’t Kill My Vibe (na real, não tenho certeza, mas creio que seja) e Ni**gas In Paris (essa é evidente). Além de Terra Lopez e Lige Newton melodizando a atmosfera, há participações dos já citados Kristoff Krane e P.O.S (se prestar atenção, é possível encontrar um padrão de conexão em minhas listas); a capa foi feita pelo monstro Michael Hussar, sendo sua primeira colaboração num trabalho musical (ele também figura no vídeo de Free Spirits). Queria falar mais, mas isso era pra ser uma descrição, não uma resenha…

.
É isso. “Sacrifique seus deuses, antes que eles te sacrifiquem” e até 2018! \o/~

2 Replies to “Top 10 Rap Gringo (Versão Alternativa, Edição 2017)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.