ppreviewFala aí, seus arrocha da Penha! Menino Hussein de volta às resenhas nacionais, e a bola da vez é o lançamento surpresa do selo carioca Pirâmide Perdida. Surfando no hype do aclamadíssimo debute solo do BK, os cara vieram com uma tape de 10 faixas, surpreendendo o público que acompanha a cena. Esse tipo de projeto que inclui vários membros de uma banca é comum lá na gringa (vide Cruel Summer, Odd Tape, Lords Never Worry, etc), mas nem tanto em terras brasileiras. Quer saber como o bloco se saiu? Fecha o app do Pokemón GO e lê a porra da review!
Quem acompanha o blog e leu as reviews do “Seguimos na Sombra” e do “Castelos e Ruínas” sabe que a equipe toda do blog se amarra na lírica dos caras do Nectar, e eles conseguiram manter o nível lírico alto na mix. Uma das minhas maiores surpresas, porém, foi a evolução da escrita do Akira. Ao pegar o EP dele que saiu ano passado e comparar com as tracks nas quais ele rima no “Vol. 7”, ce vê o salto que ele deu. Na “Sem Os Vermes Pra Secar”, por exemplo, ele chega de igual pra igual com o BK, e é praticamente impossível dizer quem tem o melhor verso. O JXNVS também largou umas linhas e me impressionou bastante não só pela técnica e belo uso de referências, mas também pela versatilidade: dá pra flagrar ele rimando sobre umas parada séria, e também rolam uns momentos dele metendo o loco (fiquei rindo meia hora da linha do Metal Slug/Lex Luger na “Pia, Brota”). Destaque especial pro Luccas Carlos flutuando na track que leva seu nome, e que aliás tem o refrão do ano. Por falar em refrão, estes estão de uma forma geral muito bem escritos e executados (principalmente pelo Sain e pelo Akira). Interessante ver como geral da PP se comprometeu a soltar versos realmente trabalhados e não ficou na zona de conforto (tem o Bril rimando numa love song mano, quem esperava por isso?)
As produções da tape não tão lá muito inovadoras, mas a execução delas tá linda. JXNVS, Sain e El Lif continuam voando nos tanto nos boombaps como nos traps, e tão conseguindo criar uma sonoridade bem própria. Alguns beats se assemelham aos presentes no C&R, mas como a tape foi lançada poucos meses após o álbum, é provável que haja algumas sobras ao melhor estilo untitled unmastered. O instrumental da “Canto das Baixas” foi o que eu mais curti pessoalmente, mas todas as 10 faixas tão bem coesas.
De uma forma geral, os caras da Pirâmide souberam muito bem aproveitar o destaque que ganharam do ano passado pra cá, e ousaram ao trazer um formato de tape não muito visto aqui no Brasil. Numa época onde muito se fala de “rap game”, o selo carioca tá sabendo mover bem as peças no tabuleiro, e entregou uma mixtape que ao mesmo tempo consegue ser extremamente técnica e descompromissada. Talvez o próprio caráter coletivo do projeto tenha criado esse ambiente de “resenha”, e dá pra ver que os caras tão bem entrosados. E é isso mes amis, não fechem a aba do blog que ai vem outros textos mais certeiros que o Pepe na canela dos atacante. Até!