rapmorreuLá estava eu, andando pelas estreitas e escuras ruas da minha maravilhosa Olinda, quando me deparo com dezesseis, digo, meia dúzia de skatistas (se algum deles tinha 17 era muito) que estavam defendendo que o rap estava morto, ou eu tô errado, DJ? Pois bem, quem é amigo meu sabe que quando escuto umas merda eu tenho que falar, sei lá, tentar refutar os “argumentos” deles com alguns comentários sérios e tal, mas o bagulho deu uma treta lá e quase apanhei feio – Bem vindo à Olinda,- e por aí vai. Hoje, estou tentando trazer aqui um debate sério e até mesmo batido, entretanto muito relevante..o que vocês acham dessas pessoas que defendem que o rap ou o hip-hop está morto? Vocês acham que elas tem demência, sim ou claro?
O principal e único argumento desses seres, quem tem vagado nas internetcha e até mesmo escutado conversas nas batalhas de free na sua cidade, já deve ter encontrado muitos policiais, guardinhas, enfim, muitos conservadores da nossa cultura. Para eles, rap mesmo são aqueles Mc’s da “Golden Era”, aqueles que passam todo o registro deles defendendo uma “revolução não televisionada” e bla bla bla. Tá, rappers como Public Enemy, KRS-ONE, Rakim e companhia são bons pra caralho! São vitais pro que se tornou a nossa musica, é inegável o valor deles para a nossa cultura, contudo, muitos vão me criticar eu sei, mas nem tudo é flores, bebê. Nos anos 90 ou 80, não tínhamos uma variedade ampla de conteúdo nessa escola, não se comparada a nova escola, quer dizer, não tínhamos o número de rappers que temos hoje ou a quantidade absurda de trampos que saem hoje. E sim, porra, eu sei que a internet e os veículos de comunicação hoje em dia ajudam muito, todavia, não vamos tirar o mérito dos nossos poetas de hoje em dia, ok?
Hoje, é muito fácil você encontrar um artista que fala sobre sexo, drogas e esse tipo de lifestyle, como também é fácil encontrar rappers ativistas, que fazem criticas sociais, cada vez mais encontramos rappers com rimas introspectivas e que falam de si mesmo de forma aberta, suas fraquezas e tudo isso, e isso porra não é ruim. Lá na discussão, ou debate, o rapper mais criticado era o Young Thug, diziam que ele era um dos alicerces da morte do movimento e tal e eu fiquei me perguntando na hora – “Será mesmo?” – rappers como Young thug são os principais responsáveis dessa nova leva de fãs. Conhecidos meus mesmo, que nem era muito chegados ao rap, quando escutaram a melodia e as batidas envolventes do jovem bandido, dançaram, se divertiram e começaram à procurar musicas do mesmo de uma forma absurda.
O hip-hop HOJE, é muito mais diversificado, mais estruturado, tem muito mais fãs, e é o maior gênero do momento por causa desses rappers “ruins”. Defender que o rap tá morto é ser o pior tipo de fã que existe hoje na cultura (E tem muitos). Tem disco ruim saindo todo dia? Tem! Tem disco bom saindo todo dia? MUITO. Esse pessoal tem que ter uma ideia que hoje em dia, praticamente, é dropado nos serviços streaming mais de 30 trampos de vários estilos, várias ideias, várias produções de alta qualidade. Defender que rap bom só presta os de antigamente é ser leigo pra caralho, e que não busca estudar ou até mesmo pesquisar o gênero que supostamente ama. Não vejo a Old School infinitamente melhor que a New School, vejo, praticamente, um empate com algumas superioridades em certos pontos de cada escola. Defender que hip hop hoje, tá morto, é ser o tipo de fã otário, metido a entendedor e, se acontecer, o que espero que nunca aconteça, o principal pivô da morte do Hip-hop/rap, são eles, única e exclusivamente deles.
Se você concorda que o rap ta morto, deixe de ser tão duro cara, relaxe, bota um trap sujão ai no grave e bola logo esse fininho gostoso com sua gata pra ficar bem jonhson e é nós que voa, bruxão!